RESUMO: COLETA
SELETIVA – poemas de Sergio Fantini
Não sou santo/nem tenho queda pra anjo.
De repente, eu gritei para mim mesmo: cadê o livro Fantini que estava aqui? O Materiaes? Assim mesmo: Materiaes.
Pensei que alguém o tivesse ‘levado’, sabe como é? Ou, eu tivesse emprestado e não me devolveram. Tudo bem. Fui procurar. Nada. Porém, logo achei o Coleta
Seletiva, pertinho de outro livro A razão selvagem, do Francisco de Morais Mendes, e me acalmei. Depois procuro o outro.
Agora, para falar do Fantini, sou suspeito. Ele é meu amigo mineiro de primeira. Mesmo que a gente só tenha se encontrado umas minguadas vezes na vida, temos uma ligação por meio de
palavras (poucas pelo lado dele, que é mineiro e não nega) e muitas pelo meu lado (que solto o verbo e os substantivos a torto e a direito).
É verdade, o Fantini pesa as palavras na hora de vendê-las a qualquer poema. Não vende a granel. É contido, constrito e raro. Vai a galope, porém no freio. E as palavras obedecem. Assim, por exemplo:
minha geração
não é minha.
estou sozinho nela.
cabe num gesto de mão.
é um salto
pela janela.
Calma, não se atire junto. Vá zanzando pelo livro e entre nos textos como se fosse num bar. Peça uma branquinha mineira e converse a meia voz com os poemas do Fantini. Eles são amistosos, embora alguns aparentem um pouco de dureza, sugerindo ‘delírio, deboche, demolição’, como diz Luiz Roberto Guedes no prefácio. Eles vão ser seus amigos para sempre, depois de um só dedo de prosa (pois o Fantini, como já disse, é contido nas palavras).
Tecnicamente falando, Sergio Fantini é mineiro de BH, escreveu, entre outros, Diz xis, cada um cada um, Materiaes, todos em prosa. De poemas tem Palpites ltda., carapuá, e este Coleta seletiva, pela editora Ciência do Acidente, 53 páginas, 2002. Se quiser, entre em contado com ele pelo e-mail sergiofantini@gmail.com e compre os livros ainda disponíveis. Valem a pena!
Quando o Materiaes aparecer, falarei dele. Por enquanto, é isso aí, com abraços e promessa de novidades para breve. Werneck