TRADUÇÕES DE WERNECK 4
Eis um Baudelaire conhecido mais pelo último
verso. Aqui, tento uma tradução livre (de rimas), sem, é claro, esgotar as
possibilidades de outras traduções. Aprecie sem moderação.
AU LECTEUR
La sottise,
l’erreur, le péché, la lésine,
Ocuppent nos
esprits et travaillent nos corps,
Et nous
alimentons nos aimables remords,
Come les
mendiants nourrissent leur vermine.
Nos péchés sont
têtus, nos repentirs sont lâches ;
Nous nous faisons
payer grassement nos aveux,
Et nous rentrons
gaiement dans le chemin bourbeux,
Croyant par de
vils pleurs laver toutes nos taches.
Sur l’oreiller du
mal c’
est Satan Trimégiste
Qui berce
longuement notre esprit enchanté,
Et le riche métal
de notre volonté
Est tout vaporisé
par ce savant chimiste.
C’est le Diable
qui tient les fils qui nous remuent !
Aux objets
répugnants nous trouvons des appas ;
Chaque jour vers
l’Enfer nous descendons d’un pas,
Sans horreur, à
travers des tènèbres qui puent.
Ainsi qu’un
débauché pauvre qui baise et mange Le sein martyrisé
d’une antique catin,
Nous volons au
passage un plaisir clandestin
Que nous pressons
bien fort comme une
orange.
Serré,
fourmillant, comme un million d’helminthes,
Dans nos cerveaux
ribote un peuple de Démons,
Et, quand nous
respirons, la Mort dans
Descend, fleuve
invisible, avec des sourdes plaintes.
Si le viol, le
poison, le poignard, l’incendie,
N’ont pas encor
brodé de leurs plaisants dessins
Le canevas banal
de nos piteux destins,
C’est que notre
âme, hélas !, n’est pas assez hardie.
Mais parmi les
chacals, les panthères, les lices,
Les singes, les
scorpions, les vautours, les serpents,
Les monstres glapissants, hurlants,
Dans la ménagerie
infâme de nos vices,
Il en est un plus
laid, plus méchant, plus immonde !
Quoiqu’il ne
pousse ni grands gestes ni grands cris,
Il
ferait volontiers de la terre un débris
Et dans um
bâillement avalerait le monde ;
C’est l’Ennui ! –
l’oeil chargé d’un
Il rêve
d’echafauds en fumant son houka.
Tu les connais,
lecteur, ce monstre délicat,
–
Hypocrite
lecteur, – mon semblable, – mon frère !
Charles
Baudelaire, Les Fleurs du Mal
AO LEITOR
A injúria, o erro, o pecado, a mesquinharia,
Habitam nosso espírito e trabalham em nosso corpo,
E alimentam nossos amáveis remoeres,
Como os mendigos nutrem seus vermes.
Nossos pecados são obstinados, nossas culpas são vagas;Nós nos castigamos rindo por nossas confissões,
E entramos gaiatamente nos caminhos imundos,
Acreditando que lágrimas vis lavam todas nossas nódoas.
Atrás da orelha do mal é Satan Trimegisto
Que embala longamente nosso espírito encantado, E o rico metal da nossa vontade
É todo volatilizado por esse químico erudito.
É o Diabo que mexe os fios que nos levantam!
Pelos objetos repugnantes nós somos seduzidos;
Cada dia diante do Inferno nós damos um passo,
Sem horror, através das trevas que se formam.
Tal qual um obsceno pobre que beija e chupa
O seio martirizado duma velha prostituta,
Nós vamos ao encontro do prazer clandestino
Que nos espreme forte como uma laranja murcha.
Espremida, agitada, como um milhão de lombrigas,
Na nossa cabeça sobra uma população de Demônios,
E, quando nós respiramos, a Morte nos pulmões
Desce, riacho invisível, com as surdas lamentações.
Se a violência, o veneno, o estilete, o incêndio,
Não ultrapassam sequer a beira de cômicos ensaios
No teatro banal de nossos miseráveis destinos, É porque nossa alma, salve!, não é nada corajosa.
Mas, entre que os chacais, as panteras, os linces,
Os primatas, os escorpiões, os rapinantes, as serpentes,
Os monstros urrando, gemendo, murmurando, servis,
No estábulo infame de nossos vícios,
Ele é o maior vilão, maior malvado, maior imundo!
E porque não tem nem grandes atitudes nem grandes gritos,
Ele fará voluntariamente da Terra um monte de escombros
E num bailado devorará o mundo.
É o Tédio! – olho anuviado por lágrima involuntária,
Ele sonha com o cadafalso fumando seu narguilé.
Você o conhece, leitor, esse monstro delicado,
– Leitor hipócrita, – meu semelhante, – meu irmão!
Charles Baudelaire, As Flores do Mal
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trocar figurinhas. Quem sabe um dia acerto. Aguarde outras novidades. Abraços,
Werneck
a o seu resumo aqui.
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