Envolvo Alskabarkan Em sedas do Vale do Nilo. Teço para ele
Um manto brocado de sonhos, Para que possa atravessar comigo, O
rio mais profundo. Ele está pronto. Despede-se numa noite de breu. Seu
perfume, suas flores e seu reflexo, Diziam adeus! Voltei-me um instante Para contemplar Sua imagem resplandecente. Suspiramos juntos ao ouvirmos A
orquestra de
pássaros Que deixamos para trás. Ele ainda não sabia, Mas tornaria ao paraíso. Os cavalos selvagens Estavam a nossa espera Numa nuvem de poeira. Atravessamos juntos O rio das tormentas De irascível fertilidade, E banhamo-nos Com a vertigem de nossos corpos, Nessas águas ofuscantes. Ele vai ereto, triunfante, Seu
corpo amalgamado Em flama ardente, Queima ao meu contato. Eu seminua, branca, Lavrada em mármore, Sou um corpo quente e silente, Esperando para doar e tomar. Alskabarkan retira da bainha Sua espada latejante De poder púrpura, Penetra no átrio, Senhor dos movimentos. Encolho-me à sombra De sua proteção, E entre braços de gotas luminosas, Vejo chegar sua força de rei. E fui água fervente Em suas coxas de cedro. Cravei meus dentes alongados Junto aos seus cabelos. Minha carne foi feita e desfeita, Até dobrar-se com uma haste, E quando a escuridão Acolhia-me em seu seio, Ouvi cascos de cavalos Que rondavam a soar O pavimento de meu palácio...
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