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Idiota! Não vês que nada és? Apenas fina capa bolorenta te protege da podridão. Vermes famintos te rodeiam. Ignoras
que num lance mágico, num segundo apenas cai por terra toda a altivez e o belo papel-presente revela a fétida massa? O gosto amargo do fel, a visão incerta, o entortar das pernas, o descontrole total... tudo é inevitável! Mais dia menos dia serás presa fácil: o tempo é impiedoso. O trágico fim independe de tua vontade. A arrogância que despejas não passa de faceta inútil das tuas diversas faces vãs e mundanas. Ao sol poente, o rosto murcho e os ossos corroídos doerão mais do que naqueles que tiveram a precaução e o bom senso de serem simples e ocultos. Restarão teus lindos cabelos... E que utilidade terão teus cabelos – fios órfãos e subterrâneos – dispersos, opacos sobre os ossos?
Publicado em: julho 19, 2007
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