É mais fácil vocês tirarem o ouro dos homens do que dos rios
diz a senhora Begbick aos companheiros de viagem e decidem-se todos:
ali mesmo vão fundar a
cidade de Mahagonny, onde todos podem gozar: álcool, mulheres e jogo até fartar. Trabalha apanha o ouro e vem a Mahagonny gastar,
cá não há estado nem deus nem lei
tudo é possivel
e todos os crimes o são também
menos um, o pior de todos,
não teres dinheiro. E aí,
põe-te a andar, se não...
Esta é
uma das primeiras peças onde Brecht ensaia e tão bem consegue a aplicação do seu efeito de
estranhamento em contraponto ao efeito de identificação do velhinho Aristóteles. Não se procura aqui criar catarse, entreter o público e prepará-lo para o dia seguinte, de mais
um dia de trabalho sem estrebuchar. Ao contrapôr estranhamento à identificação aristotélica, Brecht faz a revolução mais importante na arte (particularmente no teatro mas que depois acaba por contagiar todas as outras) do nosso tempo. Abriu caminho a todas as vanguardas seguintes se bem que muitas delas acabam, apesar de ornamentadas de modernismo, por cair no expressionismo bacoco que Brecht criticava.
Esta sua peça é um bom exemplo da sua obra: crítica fresca por vezes hilariante e perturbadora claro. Brecht prossegiu o seu caminho, avançou na teoria e prática de um teatro didáctico onde o espectador deixa de o ser para tornar-se espect actor.
O brasileiro Augusto Boal desenvolveu este trabalho de forma muito própria num conjunto de técnicas apelidadas de Estética do Oprimido e que neste momento são utilizadas em inúmeros países na luta por uma melhor qualidade de vida e pela liberdade de todos e de cada um.
Voltando à peça de Brecht é nela que se encontra uma música (ou letra, a música é de Kurt Weil) que se tornou famosíssima ao ser interpretada pelos Doors: trata-se de Alabama Song.
Oh, show us the way
to the next whisky bar... Até já! em
Livratemundo
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