A proposito da besterola que estamos vivenciando ultimamente na TV Globo sobre o BBB, nos remetemos às idéias de Jean Baudrillard, filósofo e sociólogo francês, quando em suas obras tenta fazer sempre com espírito arguto e idéias originais uma salvaguarda da
realidade vigente. Através de algumas práticas e costumes do quotidiano, Baudrillard, vai aos poucos constatando o alto desempenho da simulação e dos
simulacros que de várias formas vão tomando espaço e corpo em nossa cultura. Reconhecer cultura como marca característica e criacional do homem é reconhecer originalidade e peculiaridade da sua obra, mas é também saber criticar os pontos que agridem e descaracterizam esse homem em sua criação e poder enxergá-lo não simplesmente como reprodutor de realidades.
Nossa sociedade é marcada pelas cores, formas e simulações. E são justamente estas simulações que tão fortemente aparecem no dia-a-dia e vão aos poucos apagando o real e o imaginário do homem, o que lhe sobra é o simulacro que se passa pelo real. Assim, excitamo-nos em expectativas e modelamos a sensibilidade por imagens sedutoras.
Baudrillard estabelece na Renascença o início daquilo que ele denominou a
ordem dos simulacros. Quando o homem se livrou da Idade Média e se descobriu como construtor do mundo, que enxergou seus largos horizontes, tornou-se um verdadeiro criador e não apenas criatura. Esse é o primeiro
momento ou ordem dos simulacros. O segundo momento dá-se com a revolução industrial onde a criação não segue uma ordem dos signos, mas parte para uma produção sem tradição. E, por fim, o terceiro momento dos simulacros de simulação onde se estabelece o código, o controle cibernético o alastramento das comunicações o surgimento das massas e o indeterminismo dos grupos, do gênero e da realidade.
Preciso e implacável, Baudrillard nos mostra em poucas palavras, como o excesso de informação nos desinforma: contar qualquer coisa a alguém é transformá-lo em qualquer um. É exatamente o trabalho da informação. A crítica aos veículos de informação é notória. A informação é transformada em qualquer coisa, e, portanto, não teria, necessariamente, a função de informar. Ao contrário, pode ter, ainda que involuntariamente, a função de desinformar.
Todo esse processo acaba gerando a hiper-realidade, ou seja, levando o real a sua eliminação. "A simulação já não é simulacro de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real". Extasiados nessa hiper-realidade, confeccionamos um mundo paralelo com as mesmas características do original.
As massas aceitam e desviam tudo sem resistência de sentido, porém, faz com que tudo passe para uma esfera indeterminada que não é nem mesmo a do não-sentido, mas a da fascinação e manipulação. Sempre se acreditou que não são os meios de comunicação que dão impulso as massas, e na verdade é essa a ideologia dos mass media. Porém, as massas são muito mais fortes no sentido de produzir sua comunicação, o sentido que gira em torno de si é muito mais forte que todos os meios de comunicação, na verdade são as massas que dão impulso aos meios de comunicação. " O processo de massa e o dos meios de comunicação são um processo único. Mass (age) é mensagem”.
Assim, como afirmamos anteriormente, Baudrillard é apenas um constatador da situação real - se é que o real ainda existe - que atravessamos. Ele não está preocupado em construir nenhuma teoria ou desenvolver um método filosófico, mas, apenas conscientizar o homem, abrir seus olhos e colocá-lo como participante do seu próprio processo histórico-cultural.
No caso do programa indiota da Tv (Babaquice, Besterola e Burrice) Uma casa com câmeras e espelhos onde as mesmas coisas se reproduzem de maneiras variadas, é assim a sociedade e a cultura do simulacro, todas as coisas possuem uma cópia, e essas já produzem suas cópias. Os diversos acontecimentos, antes de executados, já se anteciparam em simulações, as obras de arte já se confundem com suas cópias, a realidade perdeu lugar para hiper-realidade, o homem planeja o seu clone, a comunicação planeja e forja situações e o poder político social vive à sombra das maiorias silenciosas – tal realidade interfere diretamente nos projetos vigentes para uma nova concepção de educação: “uma educação na era cibernética”. A caminhada está apenas no início, sabemos e temos consciência da infinitude de objetos, situações e momentos que o século XXI se prepara para viver. A hiper-realidade característica central dessa cultura de simulacros empurra-nos para:
"Fim do outro: a comunicação. Fim do inimigo: a negociação. Fim do predador: a convivialidade. Fim da negatividade: a positividade absoluta. Fim da morte: a imortalidade do clone. Fim da alteridade: identidade e diferença. Fim da sedução: a indiferença sexual. Fim da ilusão: a hiper-realidade, a Virtual Reality. Fim do segredo: a transparência. Fim do destino." BIBLIOGRAFIA dos livros em referencia
1 - BAUDRILLARD, Jean. À Sombra das Maiorias Silenciosas. O fim do social e o surgimento das massas. Trad. Suely Bastos. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1985.
2 - . O Crime Perfeito. Trad. Silvina Rodrigo Lopes. São Paulo: Relógio D’água, 1996.
3 - . Simulacros e Simulações. Trad. Maria João da Costa Pereira. São Paulo: Relógio D’água, 1991.
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