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GLOBALIZANDO A REALIDADE HUMANA

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Review by : sebastion
Visitas : 229  palavras: 900   Publicado em: janeiro 31, 2008
           
A proposito da besterola que estamos vivenciando ultimamente na TV Globo sobre o BBB, nos remetemos às idéias de Jean Baudrillard, filósofo e sociólogo francês, quando em suas obras tenta fazer sempre com espírito arguto e idéias originais uma salvaguarda da realidade vigente. Através de algumas práticas e costumes do quotidiano, Baudrillard, vai aos poucos constatando o alto desempenho da simulação e dos simulacros que de várias formas vão tomando espaço e corpo em nossa cultura. Reconhecer cultura como marca característica e criacional do homem é reconhecer originalidade e peculiaridade da sua obra, mas é também saber criticar os pontos que agridem e descaracterizam esse homem em sua criação e poder enxergá-lo não simplesmente como  reprodutor de realidades.
            Nossa sociedade é marcada pelas cores, formas e simulações. E são justamente estas simulações que tão fortemente aparecem no dia-a-dia e vão aos poucos apagando o real e o imaginário do homem, o que lhe sobra é o simulacro que se passa pelo real. Assim, excitamo-nos em expectativas e modelamos a sensibilidade por imagens sedutoras.
            Baudrillard estabelece na Renascença o início daquilo que ele denominou a ordem dos simulacros. Quando o homem se livrou da Idade Média e se descobriu como construtor do mundo, que enxergou seus largos horizontes, tornou-se um verdadeiro criador e não apenas criatura. Esse é o primeiro momento ou ordem dos simulacros. O segundo momento dá-se com a revolução industrial onde a criação não segue uma ordem dos signos, mas parte para uma produção sem tradição.  E, por fim, o terceiro momento dos simulacros de simulação onde se estabelece o código, o controle cibernético o alastramento das comunicações o surgimento das massas e o indeterminismo dos grupos, do gênero e da realidade.
            Preciso e implacável, Baudrillard nos mostra em poucas palavras, como o excesso de informação nos desinforma: contar qualquer coisa a alguém é transformá-lo  em  qualquer um. É exatamente o trabalho da informação. A crítica aos veículos de informação é notória. A informação é transformada em qualquer coisa, e, portanto, não teria, necessariamente, a função de informar. Ao contrário, pode ter, ainda que involuntariamente, a função de desinformar.
            Todo esse processo acaba gerando a hiper-realidade, ou seja, levando o real a sua eliminação. "A simulação já não é simulacro de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real". Extasiados nessa hiper-realidade, confeccionamos um mundo paralelo com as mesmas características do original.
            As massas aceitam e desviam tudo  sem resistência  de sentido, porém, faz com que tudo passe para uma esfera  indeterminada que não é nem mesmo a do  não-sentido,  mas  a  da  fascinação  e  manipulação. Sempre  se acreditou que  não são  os meios de comunicação  que dão impulso as massas, e na verdade é essa a ideologia dos mass media. Porém, as massas são muito mais fortes no sentido de produzir  sua comunicação, o sentido que gira em torno de si é muito mais forte  que todos os meios de comunicação, na verdade são as massas que dão impulso aos meios de comunicação.  " O processo de massa e o dos meios de comunicação são um processo único. Mass (age) é mensagem”.
Assim, como afirmamos anteriormente, Baudrillard é apenas um constatador da situação real - se é que o real ainda existe - que atravessamos. Ele não está preocupado em construir nenhuma teoria ou desenvolver um método filosófico, mas, apenas conscientizar o homem, abrir seus olhos e colocá-lo  como participante do seu  próprio processo histórico-cultural.
            No caso do programa indiota da Tv (Babaquice, Besterola e Burrice) Uma  casa com câmeras e  espelhos  onde  as  mesmas  coisas  se  reproduzem  de maneiras variadas, é  assim  a sociedade  e a  cultura  do  simulacro, todas as coisas possuem uma cópia,  e essas  já  produzem  suas cópias. Os  diversos acontecimentos, antes de executados, já  se anteciparam em simulações,  as obras de arte já  se confundem  com  suas  cópias,  a realidade  perdeu lugar para  hiper-realidade, o  homem  planeja  o  seu  clone, a comunicação planeja  e  forja situações  e  o poder  político social  vive à sombra das maiorias silenciosas – tal realidade interfere diretamente nos projetos vigentes para uma nova concepção de educação: “uma educação na era cibernética”. A caminhada está apenas no início, sabemos e temos consciência da infinitude de objetos, situações e momentos que o século XXI se prepara para viver. A hiper-realidade característica central dessa cultura de simulacros empurra-nos para:
"Fim do outro: a comunicação.
Fim do inimigo: a negociação.
Fim do predador: a convivialidade.
Fim da negatividade: a positividade absoluta.
Fim da morte: a imortalidade do clone.
Fim da alteridade:  identidade e diferença.
Fim da sedução: a indiferença sexual.
Fim da ilusão: a hiper-realidade, a Virtual Reality.
Fim do segredo: a transparência.
Fim do  destino."
 
BIBLIOGRAFIA dos livros em referencia
1 - BAUDRILLARD, Jean. À Sombra das Maiorias Silenciosas. O fim do social  e  o surgimento    das    massas.  Trad.   Suely    Bastos.  2ª   ed.   São    Paulo: Brasiliense, 1985.
 
2 -                   . O  Crime   Perfeito. Trad.  Silvina  Rodrigo  Lopes.  São  Paulo: Relógio D’água, 1996.
 
3 -                    . Simulacros  e  Simulações. Trad.  Maria  João da  Costa Pereira. São Paulo: Relógio D’água, 1991.

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