o fantasma de Luíz Buñuel O livro retrata a historia da ditadura no Brasil presidida por Getúlio vargas. O livro traz a historia de cinco jovens revolucionarios, que lutam bravamente no ano de 1968 contra a aterrorisante ditadura. Maria José conta que, na Universidade de
Brasília, sua geração, aquela que viveu intensamente Maio de 68, amava Buñuel,
cineasta, como o grande farol do cinema. Mesmo assim, ela admite que a idéia do
livro e até o título lhe vieram só bem mais recentemente, quando releu a
autobiografia de Buñuel, Meu Último Suspiro, e encontrou aquela jóia
final. O mestre surrealista dizia que não se importava de morrer, mas gostaria,
de dez em dez anos, de retomar a vida e ler o noticiário dos jornais só para
poder voltar a recolher-se à tranqüilidade de seu túmulo. Esse eterno retorno,
a cada dez anos, forneceu o eixo para a narrativa de Maria José, que se
desenrola em 1968, 78, 88, 98 e 2003 - a urgência faz com que a última década
seja só um lustro -, mas ela ainda constrói o livro na alteridade de pontos de
vista. Os narradores, cada um dos cinco amigos, vão se
revezando, conforme a época. Cada capítulo da obra é narrado em primeira
pessoa, que mescla passado, presente e futuro.
Os personagens são: EDU, TONHO, TADEU, ESMERALDA e DINA. Grandes amigos lutando em um unico proposito, os direito humanos, lutando para vencer a ditadura. Edu é um joven determinado, e que viveu grandes aventuras, e sempre foi disposto a fazer o que fosse preciso para ajudar o povo, Edu estudava juntamente com seus amigos na UNB, faculdade federal de Brasília. o livro trata também sobre a construção da nossa capital, trata sobre a construção de Brasília, como tudo começou. trata como os candangos, primeiros moradores daquela região trabalhou para ver aquela cidade pronta crendo que teriam melhora de vida, mas ocorreu ao contrario do esperado, os trabalhadores tinham uma condição de trabalho precaria, trabalhavam com cargas horarias excessivas, para conseguir um sálario um pouco melhor houve várias mortes em função daquela situação de trabalho desesperadora.
Pois foi o sonho que trouxe gente de todo o Brasil para desbravar e morar na
capital do cerrado em 1955: o primeiro aeroporto, as primeiras estradas
vicinais, o cruzeiro de pau-brasil no ponto mais alto do Plano Piloto.
“O descampado sem fim quando a noite começava a cair e a maravilha do
pôr-do-sol.O horizonte de terra vermelha, o calor tremeluzindo no pó dourado
que subia do chão e contra o sol, o descampado sem fim,a secura...”E mais... “o
luão,a chuva forte caindo,o cheiro da terra”.
Coisa pouco comentada é que “... o ritmo de construção alucinante foi às
custas da extensão das jornadas de trabalho além dos limites legais...” com os
sacrifícios dos candangos sonhadores e enfraquecidos. “... O Anexo do
Congresso, o “28”
ficou famoso pelas mortes que provocou porque os operários não tinham
experiência de trabalhar nas alturas.”
A cidade nascida de um sonho de Don Bosco foi concretizada e seu próprio
desenho com os setores e as superquadras originais pretendia uma sociedade
melhor.
Não havia pausas era barulho de martelo de dia e de noite, a cidade nascia a varios trabalhadores morriam de forma desumana eram jogados em caminhões e só Deus sabe para onde iam. a refeição era horrivel e pra piorar existia a GEB guarda especial de Brasília, não podia haver reclamações, ou era surra na certa. JK, o presidente em questão queria muito ver a obra pronta, as vezes ia visitar as construções e sem restrições matinha contato com os pobres trabalhadores. Após a construção de Brasília os pobres trabalhadores ficaram praticamente desalojados sem moradia, então sem opção construiam barracões que eram construidos à noite e destruidos pela GEB, de dia. O livro trata da desigualdade, entre classes sociais, e a raiva e a vontade que os revoltosos tinham de destituir a burguesia. Neste romance o regime político autoritário e
repressivo funciona como um serial killer que provoca o combate e, mais tarde,
a fuga. Perder a juventude nesse ambiente é uma experiência cheia de terror,
mas a conveniência de um grupo de pessoas identificadas por aspirações comuns e
pela paixão pelo cinema serve de antídoto a essa vivência hostil.
Permanecendo um fantasma para toda a história contemporânea do Brasil, o golpe
civil-militar de 1964 entra na vida de um grupo de jovens estudantes em
Brasília provocando, de um lado, a diáspora e, de outro, consolidando laços que
os acompanharão para o resto de suas vidas.
A história do livro percorre de 1968 a 2003.Cada segmento ficcional é ilustrado
com as notícias de um dia de cada época, e o pano de fundo é a nossa ainda desconhecida capital.
A primeira parte termina com a destruição da UNB em 68 - ela que fora criada
para pensar os problemas do Brasil. E o livro segue por tempos duros, mas
igualmente incríveis: a ascensão e queda de totalitarismos, a Aids se
instalando, conquistas sociais, tomada de consciência e também muitas perdas.
“O Fantasma de Luis Buñuel” é um livro de Maria José Silveira, publicação da
editora Francis em 2004.
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