BUDAPESTE – Chico Buarque – Companhia das letras
– 2ª edição.
Nesse seu terceiro romance, Chico Buarque, referendado compositor e interprete da música popular brasileira, usa de toda sua maestria em juntar palavras. Poderíamos classificar seu estilo como prosa poética, cada subdivisão possui características mistas entre um conto (porque é escrito em prosa) e um poema (devido à beleza da escrita).
O autor conseguiu trazer a linguagem toda única de suas músicas para prosa romanesca, assim a parte prosa descreve os fatos e faz com que a trama se desenrole com suavidade; por sua vez, o aspecto poético desbrava a psique dos personagens, principalmente, do protagonista – José Costa.
José Costa ganha a vida de uma maneira bem peculiar. Ele escreve textos, de maneira anônima, para que outras pessoas ganhem os créditos de autoria, trata-se de um escritor anônimo que presta seus serviços por meio de uma agência constituída com seu sócio, personagem secundário na trama. Políticos, empresários, autoridades do governo e até mesmo outros escritores estão entre o rol de clientes de José Costa.
O autor decide ir a uma espécie de “encontro internacional de escritores anônimos”, espaço onde essas pessoas compartilham suas angustias por não usufruírem da fama de seus escritos e onde medem seus egos, ou seja, competem para verificar quem desempenha melhor tal labor... Por um problema no avião, o protagonista acaba em um hotel no leste europeu, mais precisamente na cidade de Budapeste, Hungria.
Então... José Costa tem seu primeiro contato com a cultura do país e, principalmente, com sua língua que, segundo o escritor, é a única respeitada pelo diabo. A partir de então, ele passa a ter uma cisma – falar e escrever bem em húngaro. Em tal empreitada, ele é ajudado por Kriska, mulher com quem se envolve num ardente romance e divide o mesmo teto.
O escritor brasileiro deixou em seu país uma linda morena (Vanda, sua mulher), um típico exemplar da beleza da mulher brasileira... Na Hungria, consegue um emprego num clube de intelectuais. Agora, o escritor tem acesso ao circulo de intelectuais mais refinados do país. Mesmo realizando tarefas subalternas em seu emprego, aos poucos, ele cria as condições para desenvolver sua maior habilidade – escrever (em húngaro agora).