Os Estados Unidos, no
futuro, vencem uma grande guerra graças a uma nova organização administrativa e do
trabalho,
baseado nas Iliums, que substituem as cidades, divididas em três distritos: os escritórios administrativos das indústrias, as oficinas e estruturas automatizadas e a área conhecida como Homestead, onde habita a maioria das pessoas. Nesse novo complexo social, a maior parte dos trabalhadores técnicos foi substituída pelas maquinas, restando-lhes apenas a alternativa de servir no exército ou nos Corpos de Reconstrução e Saneamento, como operários. A universidade, única forma de acesso aos quadros superiores da sociedade, é, contudo, limitada à formação de administradores e engenheiros, e sua concorrência é de tal monta que impede o acesso dos filhos das camadas mais baixas, gerando comunidades tecnocratas e estamentais, onde testes de aptidão indicam a função adequada para o exercício profissional. Este é o
mundo da segunda revolução industrial, que desvaloriza o trabalho mental de rotina e anuncia uma terceira, a do advento das máquinas que desvalorizariam o pensamento
humano. O Doutor Paul Proteus,
gerente da Usina de Ilium em Nova York, levado por seu amigo, o rebelde engenheiro Ed Finnerty, pouco a pouco se envolve com o pensamento revolucionário daqueles que habitam a Homestead, os cidadãos comuns e insatisfeitos com a ordem vigente. A insatisfação com o mundo e a
natureza das coisas é essencialmente a característica do homem criador e transformador de suas relações com os demais seres a sua volta. Toda sua capacidade inventiva, tecnológica, foi empregada historicamente para a supressão de toda a sua insatisfação, mas o Homem é o ser insatisfeito por natureza. A insatisfação com o meio faz de Proteus um homem tentado a voltar-se para um mundo não mais existente, fruto de apelos atávicos do retorno da humanidade à natureza, através de planos como o de morar numa casa sem aparatos tecnológicos, vivendo do que suas mãos pudessem produzir e colher. Mas Proteus descobrirá a impossibilidade de levar à prática seu plano de simplicidade, seja pela convivência com a sua ambiciosa esposa, seja pelo perigoso jogo duplo desempenhado nas intrigas de seus superiores para a manutenção do status quo. O gerente de Ilium compreenderá o mito do progresso baseado exclusivamente na tecnologia como a armadilha que o ser humano constrói para si mesmo há milênios e terá que tomar uma decisão sobre que lado escolher.
Mais críticas sobre Revolução no Futuro (Player Piano)