A construção de um
convento em Mafra no século XVIII, promessa do rei João V pelo nascimento do herdeiro do trono real português, é o mote inicial de um texto repleto de personagens sofredores, esperançosos e ricos em camadas que proporciona um grande enlevo em descobrí-las. Romance publicado em 1982, Memorial do Convento apresenta um soldado maneta, conhecido como Baltasar Sete-Sóis, que se apaixona pela jovem Blimunda, que possui poderes de feiticeira em plena época de temor às bruxas. Um padre que acalenta o sonho de voar e um músico italiano são figuras fascinantes que participam e marcam a vida do casal Baltasar-Blimunda.
José Saramago narra uma trama instigante na qual tece críticas a Igreja e ao poder político. Essa história mostra as experiências de uma jornada árdua que resulta em afinidades _
amizade e
amor_, laços íntegros e profundos entre pessoas distintas, mas sobreviventes em busca de um eixo, de um futuro, de uma convicção a perseguir.
Memorial do Convento contém o que há de atroz e de admirável nas ações humanas. Em seu estilo próprio, perspicaz Saramago revela as miudezas que permeiam as relações pessoais e de poder e torna grandiloquente o arrebatamento do amor, da amizade e do respeito.
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