‘LAVOURA ARCAICA’
Creio que qualquer pessoa, ao se deparar com uma obra literária fantástica, se delicia com suas narrativas criando seu próprio cineminha mental, esperando que esta obra seja adaptada para o cinema, e que quando isso acontecer, se acontecer, corresponda com aquilo que foi idealizado por ela.
E assim aconteceu com Lavoura Arcaica, obra do escritor Raduan Nassar. Obra lírica, anárquica, colérica, que faz com que a poesia não simplesmente brote, mas sim, desate, transborde, descontroladamente, como uma terrível e irreparável hemorragia.
Com uma riqueza de detalhes nada comum, descreve situações explicitamente fotográficas, em que o aroma e o frescor de cada palavra, não são somente para ser ouvido, é convertido em imagens, afim de que se materialize, podendo assim ser degustado pacientemente, “Na modorra das tardes vadias na fazenda, emainando-se a febre dos pés na terra úmida”.
Mas se por um lado a palavra reflete claramente todo o desencanto do autor frente ao mundo que observa, o silencio aqui se faz um tanto mais corrosivo e funesto. Embora a obra trate de extremos: sagrado/profano, proibido/ permitido, bem/mal, nenhum tópico se faz mais relevante que o outro, pelo contrário, se mesclam por meio de uma fusão “sacro-profana” formando essa obra de rara beleza, que rendeu ao cinema brasileiro sua primeira Obra-prima.
Claro que de nada adianta a genialidade da obra enquanto literatura se o diretor não for dotado dessa mesma virtude. E é por isso que Luiz Fernando Carvalho, o diretor, colhe hoje os merecidos frutos, que são muitos por isso conta com a indispensável ajuda do fantástico elenco: Selton Mello (que dispensa comentários), Simone Spoladore, Juliana Carneiro da Cunha, Caio Blat, Raul Cortês e outros mais... Leiam! Assistam!
___________-*-*-*-*-*-*-*-*-**-*-*-Glaysson Santos*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-_____________
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