• Registrar-se
  • ‎O que é o Shvoong?‎
  • Entrar
    Entrar
    Lembrar meu nome de usuário Esqueceu sua senha?

Resumos e revisões curtas

.

Shvoong Home>Livros>Romances>Tudo o que aconteceu no mundo...

.

Tudo o que aconteceu no mundo...

por : RuiWerneck    

Autor : Rui Werneck
RESUMO: ALAIN ROBBE-GRILLET
TUDO O QUE ACONTECEU NO MUNDO...
...
agora já está fazendo, pelo menos, 37
anos. (*) Em abril de 1975 foi lançado no
Brasil um livro de Alain Robbe-Grillet. Claro que você nem vai lembrar
desse nome. Deve estar em algum arquivo perdido da memória, se é que, pelo
menos, assistiu ao filme O ano passado em Marienbad, de Alain Resnais, lá
por 1966/67. É pedir muito, sei. Era tempo do nouveau roman, que
desintegrava a narrativa (tempo/espaço), o enredo e os personagens. Era muito
difícil de ser lido e com o tempo foi perdendo terreno. Voltamos ao Paulo Coelho e adjacências: linear,
historiado e fácil. O que me enchia mais o saco, lá pelos anos 70, era o tal
negócio de semiologia, Estruturalismo, semiótica, subtexto, etc. Ler os livros
de ficção ficava ainda mais difícil depois de analisados pelos estudiosos. Mas,
o que me chamou a atenção no desenterrado livro Projeto para uma revolução
em Nova Iorque, do Robbe-Grillet, é a introdução do Affonso Romano de
Sant’anna (que encheu as paciências numa das palestras do Concurso Nacional
de Contos do Paraná naquele tempo com semiologia e níveis de leitura).  Nessa introdução tem texto do próprio
Grillet, que bate com o que penso e, por isso, já fui muito contestado. Cito
aqui partes e, se te servir, sirva-se: “Mas, creio, para mim como para
qualquer outro romancista de qualquer época, que a função da literatura, a
função do romance como da poesia e provavelmente da pintura, da música, da
escultura ou de qualquer outro setor artístico, não é, não é ilustrar valores
existentes, significados já existentes, mas trazer ao mundo novos significados.
(...) E não apenas espera trazer ao mundo significados que ainda não existem,
mas ainda significados que ele mesmo desconhece. (...) Provavelmente o mal-entendido
vem de que muita gente busca o conteúdo de uma obra de arte no nível da
história que esta relata. É possível que o verdadeiro conteúdo e, por
conseguinte, a mensagem, se a obra deve chegar a ter uma, se encontre na
maneira de contar a estória, ou seja, na forma da escrevê-la. (...) Entenda-se
que estou simplificando aqui um pouco as coisas ao separar a escritura da
estória escrita; de qualquer forma existe continuamente uma relação entre as
duas, intercâmbios entre elas; mas é muito mais fácil encontrar uma obra
reacionária por seu conteúdo explícito – Proust, por exemplo, ou Dostoiévski
– e revolucionária pela sua escritura, que o contrário. Uma obra reacionária na
escritura não poderá jamais ser revolucionária ainda que relate estórias de
greves ou de guerra nacional.” (Alain Robbe-Grillet)
Chamo atenção para a última parte. O que um escritor
deve procurar é a forma de sua escrita. Os assuntos, os temas básicos, são
eternos. Onde houver um ser humano, as virtudes e os defeitos originais estão
presentes. O que importa é o tratamento empregado, o estilo, a forma, que o
autor consegue. Se consegui explicar aqui o que acho da literatura... já ganhei
o fim de ano. Ufa!
(*) O livro do Robbe-Grillet é originalmente de 1970
              Gostou?
Vote, comente, indique para amigos e amigas. Seja feliz! Abraços, Werneck
 
Publicado em: setembro 29, 2007
Avalie este resumo : 1 2 3 4 5

Adicione aos favoritos & envie aos amigos

.