A obra
A Paixão Segundo G.H., escrita em 1964, é
um mergulho do interior da personagem-narradora, e não há propriamente um enredo. G.H. busca através da introspecção radical, sua identidade e as razões de viver, sentir e amar. A obra nem começa nem termina; ela apenas continua.
Tudo começa quando a narradora-personagem do
romance está em
seu apartamento tomando café, como faz todos os dias. Dirige-se ao quarto da empregada, que acabara de deixar o emprego. No local, vê, subitamente,
uma barata saindo de um armário. Este evento provoca-lhe uma náusea impressionante, mas ao mesmo tempo é o motivador de uma longa e difícil avaliação de sua própria existência. A visão da barata é o seu momento de iluminação após o qual já não é a mesma, já não é a criatura alienada que tomava café distraidamente em seu apartamento. Nesse momento, a personagem deflagra-se com a consciência da solidão, tanto dela, quanto da barata. O nojo pelo inseto desafia-lhe assustadoramente: é preciso que ela se aproxime da barata, toque na barata, e até prove o sabor da barata, caso conseguisse... Tudo isso para que pudesse regressar ao seu estado de um ser primitivo, selvagem. G.H. precisa passar pela experiência de provar o gosto do inseto. Através da "provação", estaria fazendo uma reviravolta em seu mundo condicionado.
A náusea, aqui tomada como "
forma emocional violenta da angústia", é o momento que antecede a revelação e resulta da dolorosa sensação da fragilidade da condição humana.
A Paixão Segundo de G.H., pode ser, biblicamente, interpretada como sofrimento aludindo à
Paixão de Cristo, narrada no evangelho por Mateus, Marcos, Lucas e João.
Mais críticas sobre A Paixão Segundo G.H.