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O
Vôo da Guará Vermelha traz como personagens centrais
Rosálio e Irene. Rosálio pedreiro, Irene prostituta. Os
dois se encontram quase que por acaso e ao se encontrarem essa
realidade parece perder a importância e o que se impõe
é a beleza como celebram a vida porque o fazem da forma
terna, simples e com
uma profundamente estonteante.
Rosálio,
carrega nas mãos
um caixote, que o acompanha pelo mundo,
dentro dele alguns livros herdados por um índio que o amparou
e por ele foi amparado. Rodou o mundo, impulsionado pelo desejo de
aprender a ler, a ler os livros que trazia nas mãos. Buscou
errante onde parecia óbvio, deu voltas e voltas até
que, como por acaso, encontrou Irene.
Irene
viveu no passado, uma história de amor e tragédia.
Do amor que prende, que mata que deixa saudade e culpa. Da espera do
jovem que promete ir buscá-la. Embaixo de seu colchão
de trabalho guarda um caderno em branco e um lápis a espera
das palavras que contariam as histórias trazidas por Rosálio.
Com Irene, Rosálio aprende a ler da forma mais bela e digna
que é aprender ensinando, receber, dando.
O
livro mostra a imensa capacidade do espírito de extrapolar o
mundo físico, ainda que o cenário se descortine em uma
realidade material que nega o vôo.
Irene
vive finalmente o tão sonhado amor nos braços de
Rosalvo e parte como a suavidade de um
passarinho. Rosálio ao buscar a palavra, busca a sua
consciência. E ao encontrar as letras com as quais pode ler o
seu nome, ele sai do estado de cinza/inconsciência para a luz
que se descortina num arco-íris de cores da consciência.
O despertar de um ofício, que mais parece uma missão e
que lhe confere a dignidade de um trabalho. E o contador de histórias
com o seu instrumento de trabalho e vida eterniza a si mesmo assim
como o faz a sultana de Mil e Uma Noites.
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