Publicado em 1830 na rubrica Études Philosophiques da Comédie Humaine , a novela
Adieux (
O Último
Adeus na versão portuguesa das Publicações Europa-América) conta a história de Philippe de Sucy, um oficial francês que acompanha a jovem Séphanie, condessa de Vendrières, no decurso das peripécias e horrores experimentados pelas forças francesas durante a travessia do Beresina, etapa suprema da retirada napoleónica do solo russo. A intriga novelesca segue os cânones fatalistas da obra romântica (patentes na impossibilidade de consumação amorosa das personagens pela intervenção de forças tão poderosas como a loucura ou a morte) mas distancia-se destes pela descrição hiper-realista dos horrores da batalha, oferecendo verdadeiros quadros, que se diria cinematográficos, das provações e do terror experimentados pelas tropas francesas durante a debandada. A estrutura do texto narrativo organiza-se em três tempos da
história: o primeiro desenboca na separação do par amoroso na travessia do rio, o segundo no seu
reencontro vários anos mais tarde, e o último numa nova separação que tem a loucura e a morte como limites insuperáveis. A estrutura linear do
discurso narrativo começa porém no segundo tempo (reencontro), recua por
analepse para o primeiro (separação) e regressa ao reencontro para depois se precipitar num epílogo que não cabe aqui resumir, mas que sempre se dirá que terá na palavra adeus a verdadeira síntese de todo o
romance.