A obra é dividida em três partes, somando
um total de 33 capítulos. Trata da vida de um português natural de Penedono, aldeia do Alentejo, o Senhor
Ventura. Homem voluntarioso, que deixa a residência dos pais com o propósito do correr mundo. Em sua cidade natal, trabalhou como guardador de gado, além de desempenhar serviços no campo. Aos vinte anos foi trabalhar como soldado em Lisboa. Esteve preso, por envolver-se em briga com facada que resultou na morte de um desconhecido. Porém, foi absolvido por falta de provas, embora tenha de ter ido servir em Macau, onde inicio um romance íntimo e secreto com Júlia, filha do governador. Acabou tornando-se um fora da lei, contrabandista de ópio. Indo viver em Pequim, Ventura vai trabalhar em uma garagem. Conhece o Senhor Pereira, que entendia muito de cozinha e, com ele, abre uma casa de petiscos. Tudo anda bem até o dia em que certos americanos, bêbados, ofendem Pereira e Ventura acaba por meter-se em briga novamente, o que causa o fechamento do negócio. Pereira e Ventura vão, assim, trabalhar com o Senhor Hughes, director da Ford, em um negócio bastante arriscado. Trata-se de levar 200 caminhões até a Mongólia, passando pelo deserto. Após mais brigas, o seqüestro de um milionário e muitos tiros, Ventura adoece e é cuidado por Pereira, a base de canjinhas. Os laços entre os dois tornam-se mais fortes e eles planejam visitar Portugal. Os planos foram frustrados em virtude de um negócio de vendas de armas que acabou mal, pois certos negociantes não queriam comprar os objetos, mas sim adquiri-los por meio da força. Ventura, baleado e sangrando, foge carregando o amigo às costas, que também estava ferido, acabando por morrer, sendo sepultado no deserto da Mongólia. Depois de um mês, Ventura já estava dançando em Pequim, no Grande Hotel, com uma russa chamada Tatiana. Bela mulher, também amante de aventuras. Depois de um tempo de relacionamento, a moça desinteressou-se dele. Porém, mesmo assim, aceita casar com ele. Para Tatiana o estado de casada não modifica a sua natureza livre, pois ela continua agindo como se fosse solteira. O casamento é marcado por brigas constantes, mas apesar disso, o casal tem um bebê, um menino a quem dão o nome de Sérgio. Tatiana está cada vez menos interessada por seu marido e ele só pensa em ganhar muito dinheiro para o filho. Sucederam-se negócios ilícitos, uns atrás dos outros, e Ventura é repatriado. Tatiana fica com tudo o que Ventura possuía, inclusive o filho, e ele parte para a sua terra. Seus pais já não viviam mais. O Senhor Gaudêncio arrenda-lhe o Farrobo, deixando-lhe explorar a propriedade por cinco anos. Torturado pela solidão, sente saudades do filho e do amigo Pereira. Essa experiência fez com que fantasiasse a respeito de uma Tatiana mais dócil e apaixonada. Resolveu escreve-la para contar sobre seus planos de futuro. As respostas da mulher eram cada vez mais frias e distantes. Certo dia, recebeu de volta o filho, já com oito anos. Tatiana consumira todo o seu dinheiro e entregara-se à vida vulgar que sempre lhe agradou. Ventura manda internar o menino no Colégio de Santo António, em Lisboa, deixando-lhe o único bem: a velha casa de seus pais. Adoece, mas mesmo assim resolve partir para a China atrás de Tatiana, planejando vingar-se. Ao encontrá-la, enche-a de desaforos e cai morto. Ela tem somente o trabalho de cerrar-lhe os olhos, que haviam ficado abertos. Sem poder pagar o colégio, o menino Sérgio é enviado para Penedono, tendo que iniciar sua vida do mesmo jeito que seu pai: trabalhando como guardador de ovelhas para o Senhor Gaudêncio, na herdade do Farrobo.
Mais críticas sobre O senhor Ventura