No ano de 1348, sete moças e três rapazes resolvem deixar a cidade de Florença para fugir da Peste Negra. Assim inicia-se o Decameron, de Boccaccio. Estes dez jovens abandonam a cidade para ficarem em um castelo onde teriam maior segurança. Para passar o tempo, Pampinéia sugere que escolham, a cada dia, alguém para reinar entre eles e, além disso, que contem, cada um, uma novela por reinado. Para isso, os jovens combinam que cada reinado corresponderá a uma jornada e cada jornada será composta por dez contos. E, entre uma jornada e outra, a história dos dez aventureiros se desenrola. É essa a base da estrutura do Decameron, pois a partir daí começam a ser contadas novelas (em um total de cem) que não têm relação com a história dos seus dez narradores, que são as personagens principais do Decameron. Essas novelas são “encaixadas”, umas às outras, através do enredo da obra, que propicia, por intermédio deste convívio entre os jovens, que as histórias narradas, embora não possuam qualquer relação entre si, não fiquem desunidas mas que tenham um elemento de coesão fazendo com que o Decameron não seja apenas um livro com cem contos soltos. No início da obra temos a impressão de que ela é narrada em primeira pessoa, embora não o seja. O Decameron é narrado em terceira pessoa, sendo que o narrador é onisciente intruso e dirige-se às leitoras mulheres (narratárias). Há alguns espaços de grande importância na obra. Um é a cidade de Florença, onde acontece a epidemia que os obriga a fugir. Há a Igreja de Santa Maria Novela onde os jovens combinam a aventura e, também, os castelos para onde eles vão mais tarde e onde contam as novelas que compõem a obra. O tempo deve ser de aproximadamente dez dias, pois cada um dos dez jovens reinará por um dia, porém, há um fim de semana em que eles decidem não contar história alguma. No texto fica claro que a aventura dos jovens inicia em uma terça-feira pela manhã. As dez personagens principais eram Pampinéia, Fiammetta, Filomena Emília, Laurinha, Neífile e Elisa, as moças e Pânfilo, Filóstrato e Dionéio, os rapazes. Além deles há os criados que são as personagens secundárias. A ação do Decameron gira em torno da necessidade que os jovens têm de protegerem suas vidas e da forma que eles encontram para isto.
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