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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Livros>Romances>A senhora Beate e seu filho

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A senhora Beate e seu filho

por : TatianaAnflor     

Autor : Arthur Schnitzler
A senhora Beate e seu filho trata de sentimentos inconscientes de incesto de uma mãe em relação ao filho. Após a morte
do marido, Beate viveu durante alguns anos sem nenhum envolvimento emocional, dedicando-se somente ao filho, o jovem Hugo. Apesar desse isolamento, podemos perceber, através de certas pistas que vão sendo deixadas pelo caminho, que se trata de uma mulher com uma sexualidade bastante intensa. Os instintos reprimidos de Beate são como animais selvagens que não se deixam aprisionar por muito tempo e ela, aos poucos, começa a tomar conhecimento de que seus desejos ainda existem. Em alguns momentos a viúva respeitável se vê em meio a certos jogos de sedução que aos poucos lhe vão revelando que já não poderá mais ignorar sua própria natureza. Nessa luta entre a própria animalidade e o amor materno, entre natureza e civilidade, a protagonista encontra em Fortunata, mulher de reputação suspeita, a imagem de tudo o que ela tenta negar em si mesma e, então, resolve “proteger” o filho de uma mulher tão inadequada. Dentre as possíveis explicações de estudiosos para a aversão ao incesto está a de que ao abrir mão de filhos e irmãos afirma-se a possibilidade de relação com todas as outras pessoas com as quais não se tem laços de consangüinidade e, de uma forma inconsciente, Beate parece “ceder” Hugo a Fortunata a partir do momento em que inicia o seu relacionamento com o jovem Fritz Weber e deixa o filho mais livre. A novela é fortemente marcada por um sentimento de perda da juventude e pelo sonho de retorno a ela, o que reporta-nos ao já mencionado desejo de voltar às origens: “um sentimento de segurança e a sensação de estar no lugar certo tomaram conta dela, coisa que não havia acontecido antes, lá fora, quando estava junto aos jovens… E isso a acalmou, tornando-a triste ao mesmo tempo.” Beate percebeu que o seu lugar era junto aos mais velhos mas entristeceu-se com isso. Em uma passagem mais adiante, há uma associação do crepúsculo com o envelhecimento e um sentimento de melancolia por isso, ao mesmo tempo em que a protagonista sente falta do filho, que representa a juventude perdida: “E de súbito Beate sentiu-se tão sozinha no lugarejo, tão sozinha conforme havia se sentido, também à hora do crepúsculo, apenas logo após a morte de Ferdinand… e depois nunca mais. Também Hugo parecia ter desaparecido na ilusão, e de uma hora para outra estava inalcançavelmente distante. Sentiu uma saudade incrível do filho tomar conta dela e despediu-se do grupo de amigos com precipitação” Certamente relacionado a esse desejo de retorno à juventude, Beate deseja que Hugo volte a ser como antes, quando os dois compartilhavam segredos e tinham profunda intimidade. Entretanto, o desejo de retorno à origem mais forte em Beate é a vontade inconsciente no sentido de regressar a um estado mais instintivo, do qual ela se afastara para poder ocupar o seu lugar de viúva séria e mãe dedicada na sociedade. Há em Beate, no decorrer da narrativa, uma transformação e uma tomada de consciência sobre si mesma e sobre os próprios instintos que ficam muito evidentes no terceiro capítulo, em que acontece o desfecho. Ao iniciar o capítulo, o narrador deixa evidente que a protagonista passou de um estado de absoluta treva para a claridade: “quando Beate saiu da escuridão da sombra da floresta, aparecendo a céu aberto, o caminho de saibro estendeu-se a seus pés, ensolaradamente branco e ardente (…)” Esse é o momento em que Beate retorna para casa de um passeio. Ela está prestes a descobrir que cometeu um erro confiando no jovem Fritz, que não saberá guardar segredo sobre o caso amoroso dos dois. Beate, finalmente percebe que não tanta diferença entre ela e Fortunata, já que sua conduta não condiz com a posição de mulher honrada que ela ocupa na sociedade em que vive: “e se ela agora lamenta, se arrepende, sofre, é apenas porque… porque aquilo que ela fez é totalmente contrário àquilo que pensa ser adequado ao seu comportamento. (…) O que faz com que emtodo lugar eu agarre o vazio e não seja melhor do que Fortunata e todas as mulheres do tipo?” no desespero de ser descoberta pelo filho em sua aventura amorosa com Fritz, Beate começa a conceber o seu plano lúgubre. “Perder Hugo?! Tudo… menos isso. Melhor morrer do que não ter mais filho”. Após a tomada de consciência sobre tudo o que Beate sempre quis esconder de si mesma, torna-se impossível fazer parte de um mundo ao qual ela já não se ajusta mais: “ a clama desse anoitecer , a paz desse mundo não é para mim; virá um amanhã; o burburinho do dia voltará a se erguer, as pessoas permanecerão más e vulgares e o amor um divertimento sujo.” E então, em um passeio de barco à noite, com o filho, Beate regressa à escuridão, fechando o seu círculo. Mãe e filho morrem após um beijo de amor em meio a mais completa escuridão. Não sendo capaz de suportar um regresso às suas próprias origens instintivas, Beate encontra na morte um retorno possível.   
Publicado em: julho 16, 2007

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