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Shvoong Home>Livros>Romances E Novelas>Resumo de Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira

Resumo do Artigo   por:LuizCarlosPereira     Autor : José Saramago
ª
 
A cegueira começa num único homem. Quando está sentado no semáforo, este homem tem um ataque de cegueira, e é aí, com as pessoas que correm em seu socorro que uma cadeia sucessiva de cegueira se forma… Uma cegueira branca, como um mar de leite que alastra-se rapidamente em forma de epidemia.

No livro não há nomes. Nenhum dos personagens é identificado como sendo João, Maria, José ou Pedro. Cada um desses homens e mulheres é chamado a partir de sua ocupação, do parentesco em relação a outro personagem da história ou ainda a partir de alcunhas relacionadas aos atos por eles praticados ao longo dos capítulos.

José Saramago se superou mais uma vez, colocando seus leitores para refletir com o macabro lado da humanidade despertado pelas condições desumanas com que são tratados os cegos. Os olhos incapazes de executar aquilo que deles se espera castiga as pessoas com tombos, acidentes das mais diversas naturezas, o medo e a intolerância dos demais em relação aos pobre-coitados afetados pela moléstia desconhecida.

Sem qualquer socorro por parte dos médicos (a tal cegueira é caso nunca antes registrado na medicina mundial), os cegos são colocados em galpões, prédios abandonados ou qualquer instalação onde possam ficar totalmente isolados do contato com pessoas ainda não afetadas pela doença.

Para garantir o pleno isolamento dos infectados nessas áreas, o governo estabelece postos de guarda monitorados pelas forças armadas. Os soldados têm autorização para atirar se notarem qualquer movimento suspeito por parte dos cegos. Sem qualquer tipo de auxílio, a organização nos recintos onde vivem grupos cada vez maiores de cegos é precária e tornasse caótica a cada dia (em virtude das novas levas de doentes). A comida colocada a poucos metros dos portões de entrada dos manicômios é insuficiente para atender a fome de todos.

Para piorar a situação há entre os cegos alguns espertalhões que se aproveitando da cegueira de todos, surrupiam para seu próprio consumo uma parte daquilo que é legado ao grupo. A solidariedade também é artigo em falta nos arredores dos deficientes visuais da história de Saramago.

Sem qualquer expectativa quanto ao futuro, a maioria dos cegos passa o dia deitado nas camas e colchões disponíveis para suas acomodações. Sem prática na vida de cego, as pessoas encarceradas nessa prisão provisória, não conseguem se deslocar com agilidade de um lado para outro, deixam de urinar ou defecar nos locais apropriados, tornam o ar ao seu redor putrefato, não tomam banho regularmente, deixam de lavar as mãos ou de se barbear.

Passa a imperar entre eles uma vida totalmente desregrada, de muita sujeira, onde os mais fortes passam a impor sua voz, onde a razão, a lógica, a sensibilidade e a noção de direitos foi totalmente implodida em favor da sobrevivência. Ninguém se atreve a contestar a lei da selva que se estabelece. Os poucos que ousam levantar sua voz são silenciados com brutalidade.

Como fábula macabra, o livro de Saramago nos coloca questionamentos interessantes sobre ética, humanidade, sobrevivência, altruísmo, valentia e solidariedade. Desmistifica nossa aura orgulhosa de realizadores invencíveis e nos coloca em pé de igualdade com os piores vermes que habitam a face da terra. É justamente nesse ponto que deixa de ser soturno, assustador e apavorante para se tornar uma fábula que nos coloca outras possibilidades que não apenas aquelas do medo, da insegurança e do desespero. Há espaço para a luz que orienta, para o auxílio que protege, para o amor que humaniza...

Publicado em: 16 fevereiro, 2012   
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