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Shvoong Home>Livros>Romances E Novelas>Resumo de Um Sonho de Simplicidade

Um Sonho de Simplicidade

Resumo do Livro   por:Alexandre Meirelles     Autor : Rubem Braga
ª
 
De repente, no meio desta desarrumação da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providencias a tomar, para me fazer esta pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque? Por que procurar a voz de mulher na penumbra ou os amigos de bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar no pescoço.
A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu o fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca- foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. Então ele deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira; conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
Mas para instaurar uma vida simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer as coisas, dizer coisas... Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos o lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número... para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver - sem nome, sem número, fortes, doces, distraídops, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.
Publicado em: 28 agosto, 2007   
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  1. Responda   Pergunta  :    foram quantas 200 cronicas Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    nossa adorei esta cronica vcs estao de parabens pelo site Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    em seu sonho de simplicidade, o cronista Ruben Braga idealiza sobretudo? Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    o que leva o narrador a imaginar um outro tipo de vida?como seria essa nova maneiras de viver? Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    o que leva o narrador a imaginar um outro tipo de vida?Como seria essa nova maneira de viver? Veja tudo
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