ESCÁRNIO ELETRÔNICO Vejamos as quantas andam as relações humanas que, como todos sabem, nunca foi fácil. Se antes para resolver um problema pelo telefone, conversando com um (a) atendente humano (a), sentimental e racional (capaz de se sensibilizar), já era complicado, e quase sempre, ao invés de resolver o problema em questão, você acabava adquirindo um novo e mais caro, imaginem agora que substituíram aquelas moças simpáticas e “gerúndianas”, por outras eletrônicas que, embora se expressem mais claramente, são acometidas por sérios problemas auditivos.
Assim que se disca o número, ouve-se a músiquinha que por si só já denota o absurdo (pois naquele momento, nem mesmo as moças eletrônicas podem lhe atender), e assim vai até... __Oi! O que você deseja? , pergunta ela, e você vai logo dizendo... Quando percebe que ela não te ouve, aí vem o extenso menu: Se você quer tal coisa disque um, se quer outra, disque dois...e assim vai até nove, que o cliente espera chegar pacientemente com a esperança de que ao término do menu, um ser humano lhe atenda. Mas isso não acontece mais.
Como o cliente não
escolheu nenhuma das opções, ela volta: __Você não escolheu nenhuma das opções citadas, portanto, vou lhe
apresentar alternativas e caso ainda nenhuma dessas, corresponda ao que você deseja, diga outros serviços, (e cita-se as opções). Mas dentre as opções do velho e do novo menu não se encontra a opção “falar com um atendente”. A essa altura o cliente já não sabe o fazer e diz: “Outros serviços” e é quando a moça, o robô, a coisa diz: Desculpe! Não compreendi o que você deseja. Vou lhe apresentar suas novas opções (essas outras geralmente vêm reduzidas a cerca de três ou quatro), aí o cliente já completamente atordoado, já traumatizado com menus,
ouve tudo estoicamente perguntando pra si mesmo onde é que isso vai parar, quando volta o protótipo: Desculpe não entendi o que você quis dizer. Sua ligação será transferida para um de nossos atendentes, aguarde... Aí vem uma série de novas promoções, e outra músiquinha, que nos leva a pensar: Meu Deus! O que tanto fazem essas
atendentes humanas... Serão mesmo humanas?
Como disse Pessoa, no seu poema em linha reta: “Quem me dera ouvir a voz humana”...
_____________________________Glaysson Santos_____________________
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