A HISTÓRIA DO LOBO E DA
RAPOSA
Era uma vez… Vamos lá à história porque todas elas têm tendência a começar assim. Esta não.
Numa
aldeia escondida no meio de altas montanhas, as pessoas viviam muito isoladas porque para chegar lá, só usavam como meio de transporte o burro ou a pé. Como tal, apesar de se enquadrar nas montanhas verdejantes os seus habitantes praticamente viviam do que cultivavam e dos animais que criavam. Mas nem sempre o ambiente era tranquilo. Por vezes falavam das raposas matreiras que assaltavam os currais para
apanhar um animal ou de lobos que uivavam nas noites escuras e se aproximavam da aldeia. Certo dia, um homem deu por falta de um
cabrito do seu rebanho e
perguntou a várias pessoas se o tinham visto. Ninguém sabia de nada. Apenas tinham ouvido uns barulhos estranhos na noite anterior. Nada mais.
Pois bem, uma bela e matreira raposa tinha apanhado o cabritinho e levou-o para a floresta. Preparava-se para o seu repasto quando lhe apareceu um lobo corpulento que lhe propôs dividirem o cabrito ao meio.
- Se dividirmos o cabrito matamos ambos a fome e da próxima vez que voltares à aldeia podes não ter a mesma sorte e aparecer um caçador que te mate.
-Ora, tive eu tanto trabalho para o apanhar e vens tu com uma proposta dessas.
- Olha que eu , hoje bem cedo, aproximei-me sorrateiramente da aldeia e ouvi o que as pessoas diziam sobre o desaparecimento do cabrito e estão preparados para te apanhar.
-Achas mesmo? - perguntou a raposa desconfiada.
_Sim, porque descreveram em pormenor a cor do teu pêlo, o teu
rabo farfalhudo e a rapidez que usaste para tirar o cabrito.
- Talvez tenhas razão. Mas vamos guardar este cabrito para o comermos mais tarde. Entretanto daqui a uns dias vais tu à aldeia e roubas um porquito ou umas galinhas. Assim temos comida garantida para uns tempos.
-Acho boa ideia. Vamos então guardar o cabrito.
A raposa concordou e procuraram um local escondido, junto de um pinheiro muito alto, para não esquecerem o sítio. Fizeram um buraco na terra e meteram o cabrito. Deixaram apenas a pontinha do rabo para ser mais seguro. Cada um foi para lugares diferentes e combinaram que voltariam a encontrar-se logo que o lobo tivesse o novo animal para comerem.
A raposa, muito matreira, pensava:” O lobo pensa que eu vou na conversa dele. Eu como o cabrito enquanto ele se prepara para arranjar mais comida. Se os
homens estão alerta, ele leva um tiro e….vai apodrecer por aí.”
O lobo foi à sua vida mas, não pensou ir à aldeia. “A raposa pensa que eu sou parvo. Eu tenho já comidinha garantida.”
Os dias iam passando e o lobo não se afastou muito do local onde estava enterrado o cabrito. Um dia, desenterrou uma parte do cabrito e comeu quase metade.
Num fim de tarde encontraram-se e a raposa perguntou-lhe:
- Então já foste à aldeia?
-Estou a meio - respondeu o lobo.
_Ainda não conseguiste lá chegar?
_Já te disse que estou a meio. É preciso cuidado.
_Estou à espera. Mas vê lá se te despachas porque ando esfomeada - afirmou a raposa.
_Sim, não te preocupes.
Despediram-se e cada um seguiu o seu caminho. O lobo pensou que o melhor que podia fazer era acabar com o cabrito.
Voltaram a encontrar-se passados uns dias e a raposa perguntou-lhe:
“Já estou farta de esperar. Espero que tenhas ido à aldeia e tenhas conseguido mais um animalzito.”
O lobo ficou um pouco atrapalhado mas respondeu-lhe:
- Está no fim.
_O que queres dizer com isso? Estiveste lá e não conseguiste nada? _interrogou a raposa muito desconfiada.
_ Sabes, tem sido complicado. Os homens andam a fazer rondas e torna-se muito difícil.
_Não estou a gostar nada da tua conversa. Estou a ver que tens medo de lá ir.
_Eu não tenho medo. Mas não estou disposto a ir desta para melhor. Os homens andam mesmo muito atentos e já os vi colocarem armadilhas nos currais. Como vês, assim não é fácil. O lobo falou com um ar muito satisfeito. A sua barriga estava bem cheia.
_ O melhor que temos a fazer é daqui a uns dias dividirmos o cabrito e, depois logo se vê o que se arranja - retorquiu a raposa.
_ Acho bem. Adeus.
A raposa não estava satisfeita com o lobo e resolveu não esperar mais. Dirigiu-se para o local onde tinham enterrado o cabrito e encontrou tudo na mesma. O rabo do cabrito estava com a ponta de fora e, ela ia ter um bom petisco. A saliva escorria pela boca, as orelhas bem arrebitadas, preparou-se para pegar no rabo do cabrito. Não valia a pena desenterrá-lo. Era só puxar. Assim fez. Tanta força fez para arrancar o cabrito que começou a rebolar pelos montes. E, apenas tinha a ponta do rabo na mão. Estava furiosa e procurou o lobo durante muito tempo. Mas vê-lo!!
O lobo estava bem longe procurando enganar outra raposa armada em esperta. A raposa ficou de tal maneira ferida que não voltou tão cedo à aldeia.
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