Lançado pela Editora Brasiliense em sua 8ª reimpressão, “O que é
mito”, de Everaldo Rocha, possui 97 páginas que nos leva a uma “viagem” pelo labirinto indefinível desse enigma. Pertence ao livro de número 151 da Coleção Primeiros Passos e sua principal área de interesse é a Antropologia Social. No primeiro capítulo, o
autor refere-se ao mito como sendo uma narrativa especial e particular, na qual as sociedades manifestam desacordos, paradoxos, dúvidas e preocupações. Além disso, é
um fenômeno de difícil definição. Analisando sua explicação, o autor discute os três temas sugeridos pelo “Dicionário Aurélio”: a sua origem em determinada época, a sua interpretação pela Antropologia Social e a problemática relativa da verdade. No segundo capítulo, o autor convida-nos a iniciar a viagem. Para demonstrar a força dessa narrativa especial, selecionou um clássico da literatura mitológica dos índios da línguas Jê. Esse mito sobre o fogo foi objeto de análise de vários antropólogos. O mito, por ser um grande desafio intelectual, fez surgir diversas teorias divergentes entre si. Conforme, Everaldo, dois pontos são importantíssimos e ambos estão ligados à Antropologia Social: o primeiro é o trabalho de campo que resultou num salto qualitativo para o estudo da
mitologia e o segundo foi o aparecimento do estruturalismo de Lévi-Strauss. No terceiro capítulo, o autor analisa o mito em cinco dimensões. Inicia pela teoria naturalista, na qual os fenômenos da natureza eram as principais fontes poéticas, teóricas e contemplativas e sua difusão histórica dava-se por caminhos controláveis. Opondo-se ao naturalismo, o historicismo viu no mito um registro de acontecimentos reais do passado. Citou a hipótese de Sir Edward Brunnet Taylor, o animismo, que pressuponha que os elementos da natureza poderiam personificar-se. Taylor, também, dedicou seus estudos a religião, discutindo sobre a relação entre o mito e o ritual. Novamente, ele valoriza a contribuição do trabalho de campo ou etnografia, auxiliando na interpretação social do mito. Termina recorrendo à definição psicanalítica junquiana: “mito é o conteúdo e a manifestação do inconsciente coletivo”. No quarto capítulo, refere-se ao “supermito de Édipo”, como sendo um dos mais estranhos retratos da alma humana. O autor mostra-nos três possibilidades interpretativas: na de Michael Foucaul, afirma que o mito equaciona o saber, a verdade e o poder, portanto estas partes não se separam; já, Sigmund Freud crê na presença do complexo de Édipo que é uma regulação do desejo pela lei, analisando a fase cotidiana da vida familiar; e, por fim, Claude Lévi-Strauss divide o supermito em onze mitemas e faz sua leitura sobre a ordem sincrônica e a diacrônica, chegando a conclusão sobre a dificuldade da sociedade em adotar uma única teoria sobre a origem do homem. Finalmente, no quinto capítulo, Everaldo termina a “viagem” e conclui que o mito não possui sólidos alicerces para definições. Com capa e ilustrações de Carlos Matuck e revisão de José W. S. Moraes, esta obra possui uma linguagem de fácil compreensão. Mas aquele que aventurar-se em ler esse livro precisará de um pouco de paciência. O autor utilizou-se de repetitivas explicações. No entanto, quem inicia esse tipo de estudo é um livro razoável, no qual introduz, parcialmente, as linhas de estudo e as possibilidades de pesquisa.
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