A primeira vez que ouvimos aqueles passos pensamos ser de algum vizinho,meu
pai perguntou: Quem é?...não houve resposta. Meu pai abriu a
porta,não havia ninguem do lado de fora. Fomos dormir pensando ter sido algum animal noturno. Durante vária
noites continuamos a ouvir os passos,fomos ficando com mêdo,quando a noite caía não saíamos mais para fora de
casa. Nossa casa era afastada do
centro da cidade,o vizinho mais próximo distava uns dois quilometros. Fomos morar no sítio para satisfazer a vontade de meu pai. O
tempo foi passando e meus pais foram ficando preocupados com aquela situação insólita. Nos aconselharam procurar um Padre ou uma Benzedeira,mamãe optou pela última. Vivia na cidade uma Benzedeira muito velhinha e Papai á trouxe para benzer nossa casa. A expressão quando entrou era de piedade,ficou por um tempo olhando para o nada mas parecendo estar vendo alguem...,já tinha anoitecido...estávamos todos apreensivos. Uma vela foi acesa,e logo começamos á ouvir os passos,com a vela na mão ela abriu a porta e dessa vez os passos continuaram,ela foi andando em direção do barulho das folha secas pelo chão,nós iamos atras respeitando uma certa distância. Depois de uns 30metros ela parou,pediu que meu pai fosse buscar uma enxada. Meu pai foi até um galpão de ferramentas que ficava perto dali e voltou com a enxada no ombro. Ela pediu que ele cavasse devagar,não precisou cavar muito,logo uma cena dantesca nos aterrorizou. Alí em cova rasa jazia o corpo de um homem. Meu Pai tomou as providencias cabíveis,ficamos sabendo se tratar do corpo do antigo dono daquele sítio,foi morto á mando de sua comcubina logo depois de ter passado suas terras em nome dela. Minha família mandou construir uma capela no local onde seu corpo foi encontrado. Nunca mais ouvimos seus passos.
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