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Resumos e revisões curtas

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A ilha das trevas

por : anfi    

Autor : José Rodrigues dos Santos
Inserido na subcategoria de romance histórico, este livro, o sétimo do autor, editado em 2007 pela editora Gradiva, retracta
uma história verídica, composta por factos reais.
A verdade dos factos ocorridos aquando da saída dos portugueses da ilha de Timor-Leste em 1974, da invasão Indonésia, em 1975, encoberta, na tentativa de se fazer passar aos olhos da comunidade internacional, como uma acção de guerra civil, entre as facções presentes na ilha, e todo o desenvolvimento de acontecimentos, até à independência de Timor é retratada neste livro cujo objectivo do autor é contar a verdade através da ficção.
Parte da história, é narrada na primeira pessoa por Paulino da Conceição que assistiu junto com a sua família, testemunhas directas, da saída dos portugueses de Timor, tornando-se num peão nas circunstâncias que mediaram e impulsionaram a invasão Indonésia de 1975, e o referendo que permitiu a independência da ilha.
Embora o sentimento, mágoa e emoção de Paulino e sua família, estejam sempre presentes na história, a narrativa, aborda, essencialmente, munida de factos verídicos, o drama do povo timorense, o abandono dos portugueses do território em1974, os massacres indonésios levados a cabo desde os primeiros dias da invasão de 1975 e o mais internacionalmente conhecido, mediático e chocante, no cemitério de Dili, não por ter sido o mais grave, mas por ter sido o único de que existiram imagens gravadas por um jornalista, e o grande “volte face” Português, empenhado, por razões culturais muito fundas, na ajuda pelo povo de Timor, votando contra o acordo comercial entre a comunidade europeia e a associação das nações do sudoeste asiático, em 21 de Junho de 1992, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros Português, o Dr. João de Deus Pinheiro, munido de argumentos, claríssimos, acerca da violação dos direitos humanos timorenses, imposto pelo regime indonésio, opõe-se fortemente na conclusão do mesmo, alegando que seria similar à não realização do próprio tratado de Maastricht.
Com um tipo de narração temporal, como já vem sendo hábito na literatura do autor, bastante descritiva, elucida a compreensão do leitor, acerca da iniciativa e acção política portuguesa, na recuperação e independência do país, acabando com a violência, com os massacres, com o genocídio a que aquele povo estava sujeito.
A prisão de Xanana Gusmão por parte dos indonésios, pensando que assim acabariam com as forças que se opunham à sua permanência em Timor-leste (Tim – Tim) veio a revelar-se mais um fracasso.
É muito interessante, sentirmos o empenho de personalidades por nós bastante conhecidas, e que ainda permanecem na cena politica actual como o Dr. Durão Barroso, Prof. António Guterres, e muitos outros, que lutando politicamente, usando todas as influências ao seu alcance, angariando e construindo campanhas de solidariedade em prol de Timor unidas por um forte sentimento de irmandade perante aquele povo fragilizado.
O final deste livro, evoca a parte mais dramática do romance, a história de uma família, a de Paulino, a história de um povo personificado nele mesmo e na sua família, com uma descrição pormenorizada. A história de um homem, testemunha presente, que no limiar da tortura indonésia, matou a sua própria filha, com apenas onze anos, impedindo a violação e o esquartejamento, por parte de soldados indonésios disfarçados de membros de milícias, já depois da dita “independência” e da coragem da menina a implorar ao pai para que fosse ele a matá-la.
Um livro extremamente emocionante, comovente, dá-nos uma lição, um relato histórico, para aqueles que viveram a mesma em tenra idade, cujo entendimento nunca tenha sido claro.
Recomendo a estudantes, professores, encarregados de educação e pais e aos apaixonadamente, defensores de causas nobres e justas.
Publicado em: outubro 15, 2007
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