Conta Esopo e repetem os tradutores, desde Fedro em Roma, que uma mosquinha faminta
se atirou sobre uma vasilha de mel e acabou afogando. Em suas palavras, ela teria dito: "Morro, mas morro saciada!" Embora o mel não seja um mau produto, essa saciedade não estaria dentro dos limites saudáveis e por isso produziu a morte. E aí, a suposta satisfação da mosca com o inevitável por ter saciado a gula é uma compensação nada compreensível. Alguns comentadores acrescentam como moral da fábula que "os homens suportam facilmente a morte quando ela vem sem dor". Outros deixam como foi contada, ou seja, que a mosquinha está satisfeita por comer quanto foi capaz. E este é o caso dos que morrem por glutonaria. Na Suméria, onde ela foi originada, haveria ainda uma abelha observando o suicídio por glutonaria e daí teria saído a frase - "quem nunca teve mel, quando o encontra, se afoga nele". Esta é a conclusão mais utilizada pela literatura popular. Nossa análise nos leva a compreender a situação aplicando-se aos que ganham na Loteria, aos Bolchevistas que se atiram sobre os bens que estavam invejando antes de assaltarem o Poder, e também aos que ficam obesos e acabam morrendo de AVC, enfarte, diabetes, por abusarem das comidas.