Poderiamos estar a assistir a mais um controverso documentário ou
filme de Michael Moore numa versão “soft”, Mas não. “No
Vale de Elah” é um filme realizado pelo
americano Paul Haggis e que imputa à casa de Bush a responsabilidade de enviar jovens
psicologicamente não preparados para uma
guerra que não é a deles e as consequências nefastas advindas como traumas irreversíveis e a desumanização face a sociedades alheias. Este filma conta com três impressionantes interpretações e retrata a história de um veterano da Guerra do Vietname (Tommy Lee Jones – nomeado para o Óscar de melhor actor), a sua mulher (Susan Sarandon) e a busca de ambos pelo filho desaparecido, um soldado, recentemente regressado do Iraque, que desaparece misteriosamente, e da detective de polícia (Charlize Theron) que colabora nesta investigação. Nesta sua incessante procura pelo filho desaparecido, o texano depara-se com inúmeras situações desconfortáveis que o atormentam e que o fazem perceber o desgaste psicológico a que o filho se ia sujeitando, no decorrer da sua estadia no Iraque, até atingir um ponto sem retorno de desumanidade profunda, ponto esse revelado por um conjunto de fotografias e vídeos a que o pai teve acidentalmente acesso. O título é uma referência alegórica ao vale que susteve o famoso encontro entre David e Golias e que pôs frente a frente Filisteus e Isrealitas numa batalha em que os seus filhos eram mandados para a guerra ainda fisica e psicologicamente imberbes. O filme termina com uma metáfora que gira em torno da bandeira americana – intencionalmente colocada de pernas para o ar – propagando o sentimento geral de que a sociedade americana está socialmente doente e que necessita de uma espécie de panaceia que a traga de novo para o lado bom e inocente da vida. Este filme, embora não chegue ao nível do “Colisão”, do mesmo realizador, é um filme a ser visto e a ser analisado criticamente.
www.inthevalleyofelah.com - site oficial
http://videos.sapo.pt/7vcuwmzq0z2UR6LvY9Gp - trailer
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