"A velha dobrou as pernas como se dobrasse os séculos. Ela sofria doença do chão, mais
e de mais se deixando nos caídos. Ampara-se em poeiras, seria para se acostumar à cova, na subfície do mundo?
Sentei o papel sob os olhos, fingi acarinhar o desenho das letras. Quase nem se viam, suadas que estavam. Dormiam sob o lenço de Cacilda, desde que chegara da guerra. Estas letras cheiram a pólvora, me
rodilham o coração. Era dito da velha. Agora, passados os tempos, aquele papel era a única prova de seu ezequiel. Parecia que só pelo escrito, sempre mais desdobrado, seu filho acedia à existência."