"De vez em quando recaído na escrita sorumbática, muito grave e sisuda, dizem-me: é o melhor
de si, coisa séria, profunda. Mas logo nos acomete a suspeita de que estou a ser chato e viro para uma coisa leve, mais coloquial e digestiva. Dizem-me: é o suportável, mais distractivo. E nestes dois pólos de balanço, sem saber onde fixar-me. Mas vale-me o não fazê-lo por determnação sim pelo impulso de momento. Assim vou dando resposta a uma dupla procura. Simplesmente os que
defendem a coisa profunda, é na ligeira que se sentem recompensados. E os que defendem a ligeireza é na outra que se sentem justificados nas suas ambições, porque gostam de coisa ligeira mas não o dizem que gostam para parecer cultivados."