Dizer que uma obra nos dá prazer, é equivoco: a palavra prazer, traz os sinais degradantes
da distracção, da fuga, do esquecimento; e uma obra de arte é a forma autêntica da presença à verdade original da vida. E, no entanto, nenhum de nós confunde a emoção que a arte nos reconstitui; àquela dor corresponde agora algo de agradável, de plenitude. Eis-nos em face do velho problema da catarse aristotélica, como todos sabemos; o sentir de um espectador de tragédias reveste-se
normalmente, de um estranho apaziguamento, de uma certa plenitude de aparência oposta à natureza do espectáculo representado. Sentimento ambiguo, fluido ele é terrivelmente dificil de captar, de esclarecer na sua natureza.