Para escrever com tanta claridade, é preciso escrever muito bem. A claridade não é um dom que se permita quem o faça. Pedro Mexia escreve muito bem. É uma rapidez limpida que tem ao mesmo tempo, a excitação da corrida de um rio e a tranquilidade reveladora de um espelho de água.
A melancolia, quando é tão fina e bem apanhada, é tudo menos deprimente. O mesmo acontece com outra área de pericia do autor, a melancolia. É um mestre da genuína saudade portuguesa, que como suspiro tem tanto prazer como a mágua.