Com grande parte das interrogações enológicas resolvidas, a atenção dos produtores de
vinhos de
qualidade virou-se há poucos
anos para a qualidade da vinha que fornece a matéria-prima. “É na vinha que se faz o vinho” costuma-se hoje dizer. E se neste país muito se tem dito e feito em prol de melhores
vinhas também é verdade que muito há ainda para fazer e, como todos sabemos, o futuro do Vinho português está dependente dessa melhoria. O Dão conheceu tempos de grande prestígio nas décadas do pós guerra, mas a forte emigração dos anos 60 e 70 junta com um sistema cooperativo arcaico instalou a passividade na região e não só a sua iticultura decaiu como também os seus vinhos, principalmente a partir de meados da década de 80 quando outras regiões mais empreendedoras ofuscaram o mercado de vinho do Dão. E os anos iam passando. “As vinhas estão cada vez pior” lamentava-se o enólogo Magalhães Coelho aos jovens discípulos que o seguiam na luta por um Dão melhor, um Dão à altura dos velhos pergaminhos. João Paulo Gouveia, Carlos Silva e Miguel Oliveira eram os pupilos que lhe seguiam as palavras. Era necessário reformular a
viticultura do Dão. Só assim os seus vinhos podiam crescer. Cientes disso, em 2001 os três amigos decidem formar uma sociedade baptizada com o nome Vines e Wines. Com ela o Dão e as suas vinhas começaram a mudar. E não só no Dão porque o seu trabalho já chegou à Bairrada, às Beiras e ao Douro. João Paulo Gouveia dirige a área vitícola e Carlos Silva e Miguel Oliveira encabeçam a parte enológica, sabendo todos que viticultura e enologia não podem ser dissociadas e trabalhando sempre em conjunto. A Vines e Wines é hoje responsável por mais de 500 hectares de
vinha, em quatro regiões nacionais, distribuindo o seu labor por quase duas dezenas de consultorias. Constituir “rastreabilidade” de produção em todos os produtores, levantamentos topográficos à parcela de todas as propriedades, de todas as castas, alterações de encepamento em parcelas com castas menos nobres, melhoria da condução e mecanização nas vinhas velhas, optimização do rendimento das máquinas e operadores, controlo de maturação pormenorizado onde têm habitualmente a ajuda ciclópica de uma dúzia de estagiários...enfim procura-se o melhor e apenas isso, tanto em viticultura convencional, produção integrada ou produção biológica. Com a Vines e Wines muitas vinhas nacionais, e em particular as do Dão, sofreram uma autêntica revolução qualitativa. Por isso, este prémio mais do que merecido
Mais críticas sobre 2007 - Viticultura do Ano - Vines & Wines