Segundo o filósofo francês, não há temas nobres nem temas vis. As inquietações de uma filha de camponeses são tão interessantes
quanto as de uma grande dama. E que a expressão ‘política da
literatura’ implica que a literatura faz política enquanto literatura.
A política da literatura supõe que a literatura aja não propagando idéias ou representações, mas criando um novo tipo de “senso comum”, reconfigurando as formas do visível comum e as relações entre visibilidade e significações, construindo um tipo de mundo comum com os que lêem.
A literatura, pois, não é um conceito trans-histórico reunindo todas as formas da arte de falar e de escrever desde o começo dos tempos. É um conceito que não tem mais que 200 anos. No século XVIII, a palavra “literatura” designava a prática do erudito, e não a arte dos escritores.
a poesia era definida antes de tudo como uma ação. A ação, como
encadeamento de efeitos a partir de fins perseguidos, definia o universo dos indivíduos nobres, capazes de perseguir tais fins, por oposição à vida repetitiva das pessoas comuns.
Toda vida é digna de ser escrita, perdendo então sua função a palavra oral, de norma em benefício do livro escrito, que se dirige a qualquer um ao acaso.
Não há temas, uma vez que o estilo é uma maneira absoluta de ver as coisas.