Tomás Noronha é um historiador perito em criptologia e é contratado por uma fundação americana (American History Foundation) para reconstituir as investigações de um outro historiador, também português, entretanto falecido. Apesar das complicadas pistas deixadas remeterem inicialmente para a descoberta do Brasil, a American History Foundation parece demonstrar um interesse camuflado em Cristóvão Colombo. A intriga desenvolve-se a partir da estranha mensagem deixada pelo historiador falecido: MOLOC NINUNDIA OMASTOS.
O romance de José Rodrigues dos Santos rebusca pois as misteriosas origens de Cristóvão Colombo. Para isso percorre a história dos descobrimentos, passando por uma série de monumentos e lugares plenos de significado. Ao longo de 550 páginas, o autor transporta-nos numa viagem à descoberta dos mistérios que rodearam a vida de “Colombo”, numa aventura plena de enigmas e que decorre em locais diversos: Lisboa, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Génova, Sevilha, Sintra, Jerusálem, Tomar, Londres. Para além da história maior, coexistem outras pequenas narrativas paralelas, tais como o romance de Tomás com Lena, uma inteligente e esbelta aluna sueca; a ruptura do mesmo com Constança, sua esposa; ou ainda a filha Margarida, com 9 anos e possuidora de Trissomia 21.
Habilmente escrito, o romance é em grande parte a reposição das teorias do historiador Mascarenhas Barreto («The Portuguese Columbus: Secret Agent of King John II», 1992) e do médico Manual Luciano da Silva, («Columbus wasn´t Columbus»,1989). É que, embora a história oficial afirme que o descobridor da América provinha duma humilde família de tecelões de Génova, existem outras possibilidades que têm vindo a ser levantadas e que colidem com esta tese, defendendo, como o faz este livro, que a nacionalidade do navegador seria portuguesa. «O Codex 632» é mais um romance histórico, mas também uma obra que pretende ficcionar em torno da verdadeira missão de “Colombo”, porventura um dos segredos mais bem guardados da epopeia dos Descobrimentos portugueses.