ROQUE DOS SANTOS MACHADO-
POETA FENOMENAL Tudo que emana do povo é folclore, tem o cheiro de terra virgem, o sabor acre de Nordeste. E o nosso Nordeste, infelizmente, onde não somos habituados à leitura, temos na literatura de cordel, nas cantorias, a verdadeira expressão da cultura do Nordeste brasileiro. Sendo assim, nada mais louvável do que um cordel para homenagear o poeta
Roque Machado. Escrito no caráter biográfico, em 34 estrofes a sua vida é contada, começando desde a tragédia que precedeu sua infância, até a sua morte. Nasceu no dia 7 de Julho de 1917, num lugarejo às margens do rio Pirangí, na cidade de Ocara. Cresceu na humildade de uma pobre família que o acolheu, quando os seus pais morreram. Não conheceu escola, mesmo porque naquele tempo não existia nenhuma naquelas bandas. Mas como era muito inteligente aprendeu a ler e escrever o essencial. Gostava de ressaltar sempre ser um analfabeto e que seu trabalho era puramente folclórico. Poderia o grande vate hoje ser reverenciado como poeta fenomenal. Sua rara genialidade de gente simples só pode ser comparada à Patativa de Assaré. Mas Roque não teve a mesma sorte do Patativa e morreu deixando na obscuridade uma vasta
obra. Tudo era motivo de inspiração para Roque. Mas embora tenha versado com incrível conhecimento sobre História, Ciência, Astronomia, Tecnologia, os seus
temas preferidos era descrever a beleza da natureza. E sua obra, além de incontáveis glosas,
escreveu cerca de dez cordéis e dezenas de poesias. Em tudo que ele escreveu, percebe-se a simplicidade e encanto com que tratava de temas como: os minerais, vegetais, animais, os heróis do passado. Assim era Roque Machado, nada ficou sem merecer um verso seu. No dia 7 de Agosto de 2000, Roque partiu. Certamente aquela voz do sertão que calou para sempre nunca será esquecida.
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