Já faz dez anos que a Mercedes Benz que a transportava se chocou contra uma pilastra da ponte D''Alma em Paris. Ainda
assim, as notícias e celebrações em torno de seu nome continuam
constantes. De aristocrata
inglesa, Diana Spencer se tornou
princesa da
Inglaterra, depois símbolo de solidariedade por suas incursões em
países do terceiro
mundo. A cada dia, o mito parece crescer. Editora
de revistas como Vanity Fair e New Yorker, a
jornalista inglesa Tina
Brown quis entender a trajetória que levou a moça loira de traços
delicados a exercer tanto fascínio no mundo inteiro. E partiu
em busca da reconstrução da
vida de Lady
Di. Uma pesquisa que contou
com mais de 200 entrevistas, tentando abranger praticamente todas as
pessoas que conviveram com a princesa, e que agora chega ao Brasil com
o nome de Diana: Crônicas Íntimas. A breve vida de um dos
rostos mais fotografados do mundo, a Jackie Kennedy britânica, como a
imprensa estrangeira a classificava, é reconstruída com detalhismo pela
jornalista, a ponto de a obra ter sido classificada como a mais
completa biografia da celebridade do século 20.O livro começa
reconstruindo o dia da morte de Diana, no acidente de carro que sofreu
ao lado de seu namorado, o playboy egípcio Dodi al-Fayed, e parte para
a construção cronológica de sua vida. Da infância solitária, o abandono
da mãe após a separação dos pais, à relação com o príncipe Charles e a
família
real, o livro revela segredos, fatos e depoimentos que nenhuma
outra biografia havia conseguido reunir. Um exemplo é a entrevista com
Sabrina Guinness, primeira namorada de Charles, que até então nunca
havia se pronunciado. A jornalista ouviu também Ted Forstman, namorado
americano que Diana teve nos anos 90.Bastidores da família real
são outros atrativos de "Crônicas Íntimas". Em uma das passagens, Tina
reconstrói o dialogo entre o pai de Charles, príncipe Philip, e Diana
logo após seu divórcio, quando ela foi convocada para uma reunião com a
rainha e seu marido. Na ocasião, Philip ameaçou a princesa. "Se você
não se comportar, minha menina, vamos tirar seu título", disse. A
resposta foi imediata: "Meu título é muito mais antigo que o seu,
Philip", se referindo à família de seu pai, Conde Spencer, tradicional
aristocracia inglesa. Tina Brown se esforça para manter a
imparcialidade da obra, dosando a faceta que fez da princesa uma das
mulheres mais idolatradas do planeta com seus lados mais obscuros.
Assim, ao passo em que descreve o amor incondicional que Diana tinha
pelos filhos, a jornalista também revela sua relação com os amantes e
seus desafetos. E da mesma forma como apresenta a adolescente
sonhadora, que idealizava sua vida como nos romances baratos que lia,
Tina mostra também como Diana quis usar a fama, manipulando a mídia a
seu favor. Sim, a princesa que morreu fugindo de paparazzi tinha o
hábito de telefonar para repórteres para informar onde estaria e com
quem. Contradições que fazem de Diana um personagem inesgotável, não
importa quanto tempo passe.
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