Quem poderia imaginar que José de Alencar, o criador da” virgem dos lábios de mel”.... era um insistente polemista, notório criador de desafetos e conhecido como arrogante e “esnobe” intelectual?
Igualmente impensável é supor que o autor de “ O GUARANI”, obra prima da literatura indigenista brasileira , iniciou sua carreira combatendo acintosamente seus contemporâneos (escritores brasileiros) que desejavam nacionalizar a literatura brasileira, desvinculando-a dos estrangeirismos que marcavam a época, particularmente os francesismos, do qual Alencar era um adepto contumaz e assumido.
Para quem chegou a conhecer, mesmo que em parte, a obra de José de Alencar, mais absurdo ainda é conceber que esse texto seja de sua autoria: (resposta ao grupo nacionalista): “(...) que quer dizer nacionalizar a língua portuguesa? Será misturá-la com o tupi? Ou será dizer em português, aquilo que é intraduzível, e que tem um cunho particular nas línguas estrangeiras?(...) Quem não quiser por isso pode agarrar-se à língua tupi, e achará nela uma mina ainda não explorada de imagens poéticas, uma multidão de nomes fanhos, de frutas, de coquinhos, de bichinhos, de cipós, que deve ser de uma originalidade encantadora. Teremos então, cabelos de samambaia, lábios de uricuri, olhos de guajirú, et relíquia commitant caterva”. – Para quem não sabe, caterva é substantivo coletivo somente usado no plural e significa desordeiros, vadios. Pura maldade. Ironias que ele teve que engolir bem pouco tempo depois, junto com a (própria) língua.
Essas contradições explicitas tornam mais saborosa a leitura de “ O INIMIGO DO REI”, pois não satisfeito em alimentar desavenças na área literária, Alencar resolveu também, “azucrinar” Dom Pedro II e sua corte, utilizando-se das prerrogativas de Deputado Geral do Partido Conservador , eleito pelo Ceará.
Ficou no cargo por quatro legislaturas e pronunciou seu último, mais ferrenho e aplaudido discurso aos 48 anos de idade, nove meses antes de morrer vítima da tuberculose
Outro item insuspeito sobre o autor de “ A VIUVINHA” e “ LUCÌOLA” : ele tinha verdadeira fixação por pés femininos “
um bonito pé é o verdadeiro condão de uma bela mulher (...)nem me falem em mão, em olhos, em cabelos, à vista de um lindo pezinho(...)”
Como julgar um homem que viveu sua primeira paixão (infeliz) aos 25 anos de idade e justo pela filha única, de 15 anos, de um rico visconde? Ela esnobava-o acintosamente com apoio do pai que não considerava Alencar partido à altura para desposar “legitima herdeira de nobre linhagem”.
Fica claro que Alencar sofreu as desditas do preconceito, e carregou suas mágoas por toda a vida. Entre elas a pecha de “filho do Padre”, pois era filho de um ” vigário tido como namorador e revolucionário”, que amancebou-se com uma jovem prima - com a qual teve 8 filhos , sendo José o primogênito. O relacionamento nunca foi ocultado e era do conhecimento da Ordem Eclesiástica.
CAZUZA era o apelido familiar de José Martiniano de Alencar. Talvez, os fatos expliquem as contradições. Está tudo no livro!
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