Ao lado de Oswald de Andrade, Menotti del Picchia é o primeiro grande conspirador contra os valores literários parnasianos do princípio do século e
um insistente popularizador de princípios vanguardistas. Já em sua estréia, nove anos antes da revolução da Semana de 22, ele prenuncia o porvir. Acompanhando a transformação de um Brasil agrário em um novo país acolhedor da era industrial que abalaria os alicerces do regionalismo, o autor transita por essas duas dinâmicas históricas. Se ‘Juca Mulato’ já foi visto como o "poema da raça" e o "canto de despedida da era agrária", ‘Salomé’, sua última ficção, é um retrato da cidade de São Paulo, também caracteristicamente
brasileira pela presença de enorme diversidade sociocultural em suas misturas; em ambos os casos, trata-se do acolhimento das "100 raças"
"se debatem no xadrez etnológico" brasileiro. Dessa maneira, à pergunta filosófica de para que poetas em tempos decadentes, a resposta de Menotti del Picchia é, num mundo de crescente mecanização e dilapidação cultural, presentificar, em qualquer tempo, o mítico e o ontológico de uma nação.
obras
Poemas do Vício e da Virtude (1913)
Juca Mulato (1917)
Moisés (1917)
Máscaras (1920)
Flama e Argila (1920)
O Pão de Moloch (1921)
O Homem e a Morte (1922)
Dente de Ouro (1923)
O Crime daquela Noite (1924)
Chuva de Pedra (1925)
O Amor de Dulcinéia (1926)
No País das Formigas (1939)
Salomé (1940)
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