A poesia de Marly de Oliveira apresenta
um percurso poético que vai de
uma lírica impregnada do sentimento do belo até uma defrontação mais objetiva com as asperezas e inclemência da realidade. Se num primeiro momento de sua poética há um predomínio da procura do sublime e do puro, logo se inicia um progressivo movimento de objetivação traduzido tanto numa maior concretude da linguagem quanto na dureza de seus objetos: o real passa a ser visto como algo que está constantemente escapando ao mesmo tempo em que impõe suas fatalidades. Embora a
vida se manifeste em seu esplendor e majestade, a existência vai-se deparar sempre com o absurdo da incompletude, da falta, do distanciamento e da ausência. Ainda que sua poética venha a tentar produzir uma aliança com a natureza, essa relação será de submissão e sem qualquer indulgência. A grande marca da escrita de Marly de Oliveira, entretanto, é a forte preponderância de uma indagação de cunho filosófico acerca da vida e da morte, permeada pela emoção e pela angústia decorrentes da experiência do real.
obras
Cerco da Primavera (1957)
Explicação de Narciso (1960)
A Suave Pantera (1962)
A Vida Natural / O Sangue na Veia (1967)
Contato (1975)
Invocação de Orfeu (1978)
Aliança (1979)
O Banquete (1987)
Poesia Reunida (1989)
obra Poética Revivida (1989)
O Deserto Jardim (1991)
Mar de Permeio (1998)
Uma Vez Sempre (2001)
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