Contrariamente aos pensamentos característicos da razão, a
poesia não é
uma conquista sobre a obscuridade, através da tentativa de torná-la clara, mas um percurso através de seu cerne dirigido pela aventura da palavra. O que flui de Manoel de Barros resguarda, invariavelmente, uma "escureza" inerente à sua compreensão acerca de poesia, de linguagem, de homem, de natureza; é na encruzilhada dessas ambiências que se revela a experiência do
poeta, acenando para uma dinâmica de manifestação da própria realidade. Caracterizado por muitos como poeta pantaneiro, por tomar dessa exuberante região do Brasil, na qual ele vive, os elementos de sua poética, ele leva o "superficial fotográfico" a uma "transfiguração epifânica". O Pantanal Mato-Grossense passa a ser, assim, um (não-) lugar de fundamentação que, traspassando todos os lugares, não se esgota em geografias. Privilegiando o insignificante e a fragmentação sintática, esse poeta, cujos livros são os mais vendidos no Brasil em sua área, intensifica, nesse começo de século, a radicalidade da poesia
brasileira e mundial. Manoel de Barros nasceu em 1916.
obras
Poemas Concebidos sem Pecado (1937)
Compêndio para Uso dos Pássaros (1960)
Matéria de Poesia (1970)
Arranjos para Assobio (1980)
livro de Pré-Coisas (1985)
O Guardador de Águas (1989)
Gramática Expositiva do Chão (poesia quase toda) (1990)
Concerto a Céu Aberto para Solos de Ave (1991)
O Livro das Ignorãças (1993)
Livro sobre Nada (1996)
Retrato do Artista quando Coisa (1998)
Ensaios Fotográficos (2000)
Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo (2001)
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