Júlio César Ribeiro Vaughan nasceu em Sabará, MG, em 1845 e morreu em Santos, SP, em 1890. Raro são os livros
que foram tão combatidos pela crítica quanto ‘A Carne’: Álvaro Lins o expulsou da história da
literatura brasileira, José Veríssimo disse que ele era "o parto monstruoso de um cérebro artisticamente enfermo" e p. Sena Freitas, à época, abrindo forte polêmica com o autor, afirmou "Carne pútrida, exibida a 3$000 a posta nos açougues literários de SP"
. Paralelamente, seu sucesso popular foi estrondoso, a ponto de, ao longo dos anos, o livro ter ganho três adaptações cinematográficas e, apesar da tentativa de proibição dos mais velhos, ter sido lido insistentemente pela juventude. Pode-se realmente imaginar o que significou, em 1888, a abordagem de temas como a menstruação, casamentos falidos, divórcios, amor livre, sadismos escravocratas, novo papel da mulher e conteúdo erótico obsceno. Seguindo a escola naturalista no que ela tinha de mais tecnicista, Júlio Ribeiro buscou um hibridismo entre arte e ciência, com viés ensaístico e didático, nomeando, inclusive, com todo seu conhecimento de lingüista, inúmeras espécies da fauna e da flora brasileira descritas por ele com tanta plasticidade.
obras
O Padre Belchior de Pontes (1877)
Traços Gerais de Lingüística (1880)
Gramática Portuguesa (1880)
Cartas Sertanejas (1885)
Questão Gramatical – Polêmica com Augusto Freire da Silva (1887)
Procelárias (1887)
Escola Normal (1888)
A Carne (1888)
Nova Gramática Latina (1895)
Uma Polêmica Célebre (1935)