João Cabral de Melo Neto, nascido em 1920, é daqueles raros poetas cuja
obra honraria qualquer país do mundo, fato comprovado pelas traduções em diversas línguas e prêmios nacionais e internacionais, como o Neustadt, por exemplo. No Brasil, nos últimos 40 anos, talvez nenhum outro poeta tenha exercido tanta influência sobre gerações posteriores quanto ele. Herdando de Valéry a exigência de uma extrema lucidez na vontade de criar, sua trajetória demarca a derrocada de diversos valores habitualmente tidos por poéticos: contra a inspiração, o trabalho; contra a espontaneidade, a construção; contra o sentimentalismo, a objetividade; contra a obscuridade, a clareza; contra o lirismo, a aspereza; contra a abstração, a concretude; contra a retórica, a economia; contra o melódico, o rascante; contra o flácido, a lâmina... Trabalhando sob a luz de uma intensa consciência construtivista, não é sem motivos que essa escrita calcada na razão se impôs os rigores do engenheiro. Mas não se enganem: seguramente, todo o arcabouço apolíneo de sua poesia é uma arma que o poeta encontrou para domar e contrabalançar a intensidade explosiva subjacente à sua escrita. Morreu em 1999.
obrasPoesia
Pedra do Sono (1942)
Os Três Mal-amados (1943)
O Engenheiro (1945)
Psicologia da Composição - com a Fábula de Anfion e Antiode. Barcelona: O livro inconsútil (1947)
O Cão Sem Plumas (1950)
O Rio ou Relação da Viagem que faz o Capibaribe de sua Nascente à Cidade do Recife (1954)
Dois Parlamentos (1960)
Quaderna (1960)
A Educação pela Pedra (1966)
Museu de Tudo (1975)
A Escola das Facas (1980)
Auto do Frade (1984)
Agrestes (1985)
Crime na Calle Relator (1987)
Primeiros
Poemas (1990)
Sevilha Andando (1990)
Poemas Reunidos
Poemas reunidos (1954)
Duas águas (1956)
Terceira feira (1961)
Poesias completas (1968)
Poesia completa (1986)
Museu de tudo e depois (Poesia Completa II) (1988)
Poemas escolhidos (1963)
Antologia poética. Rio de Janeiro: Editora do Autor, (1965)
Morte e
vida Severina: Auto de Natal Pernambucano (1965)
Morte e Vida Severina e outros poemas em voz alta (1966)
Morte e Vida Severina (1969)
O Melhor da Poesia Brasileira (Drummond, Cabral, Bandeira, Vinicius) (1979)
João Cabral de Melo Neto. Seleção de José Fulaneti de Nadal. (1982)
Poesia Crítica (1982)
Morte e Vida Severina. Litografias de Liliane Dardot (1984)
Morte e Vida Severina e outros poemas em voz alta (1984)
Os Melhores Poemas de João Cabral de Melo Neto (1985)
Poemas Pernambucanos (1988)
Poemas Sevilhanos (1992)
Obra Completa (1994) - com o poema Cartão de Natal
Prosa
Considerações sobre o Poeta Dormindo (1941)
Joan Miró (1950)
Joan Miró (1952)
O Arquivo das Índias e o Brasil
(1966)
Poesia e Composição (1982)
Filmes
O curso do poeta. Produtores: Fernando Sabino e David Neves. Roteiro e direção de Jorge Laclette (1973)
Morte e vida severina: um filme documento. Direção de Zelito Vianna (1976)
O mundo espanhol de João Cabral de Melo Neto. Produção e direção de Carlos Henrique Maranhão (1979)
Morte e vida severina. Direção de Walter Avancini. (1981)
O ovo da galinha. Recitado por Ney Latorraca (1980)
Duas águas (1997)
Discografia
Poesias - Murilo Mendes e João Cabral de Melo Neto (1956)
O Teatro da Universidade Católica de São Paulo apresenta Morte e vida severina (1966)
Morte e vida severina - Música de Chico Buarque de Holanda
João Cabral de Melo Neto por ele mesmo
Poemas de João Cabral de Melo Neto. 2 discos (1982)
Mais críticas sobre João Cabral de Melo Neto - Vida e Obra