Em
literatura, sabe-se que, contrariamente à ciência, os importantes escritores antigos são tão contemporâneos quanto os mais representativos do momento.
Um exemplo da vivacidade do passado se manifesta na força com a qual o tempo presente, marcado pela herança recebida, quer reavivá-lo, ficcionalizando-o. Godofredo de Oliveira Neto é um autor que se caracteriza justamente pela reciclagem de traços do Romantismo, do Naturalismo, do Decadentismo e do Regionalismo. Dele, já disseram ser um romancista retrô, que, privilegiando o exótico como a diferença
brasileira e buscando no interior do país as intensidades mestiças do povo, consegue realizar um questionamento significativo sobre a atual condição do país. Com descrições detalhistas, adjetivos nobres e elegância estilística, ele revisita situações históricas para salientar a fratura social, a corrupção das elites prepotentes e a impotência popular. Esse professor de literatura, nascido em 1951 no Estado de Santa Catarina, lança uma reflexão sobre impasses ainda arcaicos de um Brasil em plena globalização.
obras
Faina Jurema (1981)
O Bruxo do Contestado (1996)
Pedaço de Santo (1997)
Oleg e os Clones (1999)
Marcelino Nanmbrá, O Manumisso (2000)
Mais críticas sobre Godofredo de Oliveira - Vida e Obra