Romancista e ensaísta, Ciro Versiani dos Anjos nasceu em Montes Claros, MG, em 1906. Uma das características
básicas da
literatura do último século é, a partir da "morte de Deus", estabelecer as palavras de um cotidiano pequeno, onde a solidão humana encontre apenas sua inquietude e a impossibilidade de abrigo na natureza ou na sociedade. Foi assim com Beckett, com Kafka e com o Fernando Pessoa do ‘Livro do Desassossego’, por exemplo. Dentro desses parâmetros, o movimento modernista mineiro deu à luz a um de seus grandes escritores: buscando alternativas para o romance clássico e um tipo de narrativa que alargasse os limites ficcionais, Ciro dos Anjos, em seus primeiros e mais importantes livros, explora a forma do diário escrito por pessoas insignificantes, que narram suas observações do pequeno cotidiano urbano, os sonhos frustrados, o dia-a-dia de um burocrata solteiro, enfim, o que se poderia chamar de uma
vida "menor" e subalterna. Se o funcionário público é um dos símbolos nacionais de uma experiência sem desafios, sem paixões e adaptada aos desumanos trâmites burocráticos, ele se adequará às tensões intimistas desse escritor que faz da literatura a única salvação possível.
obras
O Amanuense Belmiro (1937)
Abdias (1945)
Explorações do Tempo (1952)
A Montanha (1956)
A Criação Literária (1959)
Poemas Coronários (1964)
A Menina do Sobrado (1979)