Francisco Buarque de Holanda nasceu no Rio de Janeiro em 1944. É comum pensar-se que entre o letrista de música e o poeta há a mesma distância que entre o tecladista de
uma banda musical e um pianista clássico. Tal consideração reflete uma maneira estanque de se pensar a arte, isto é, a partir de categorias imutáveis e bem definidas. O fenômeno artístico, entretanto, irrompe com muita freqüência nas zonas fronteiriças entre essas categorias; mais do que isso, o movimento entre registros aparentemente imóveis pode constituir uma expressão artística por si só. A resistência em atribuir valor poético à
obra de Chico Buarque é um grande exemplo dessa obtusidade crítica. Depois do lançamento de dois romances de grande sucesso, porém, essa resistência vem sendo vencida. Pois a linguagem rica em imagens e símbolos, densa e de forte articulação já presente nas letras de suas músicas — consideradas por muitos como poemas verdadeiros haja vista a virtuosidade e a universalidade —, foi transposta para uma ficção de filiação hiper-realista, dotada de trama narrativa sofisticada e bastante hermética. Sua poética é hoje plenamente reconhecida.
obras
Roda-Viva (1967)
Calabar ou o Elogio da Traição
(1974)
Fazenda Modelo (1975)
Gota D’água (1975)
Ópera do Malandro (1978)
A Bordo do Rui Barbosa (1981)
Estorvo (1991)
Benjamin (1995)
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