Com um percurso devotado ao estudo filosófico e literário, o professor e ensaísta Benedito Nunes é hoje uma
das raras figuras no Brasil a produzir um pensamento que procure explicitar quais são e como se dão as relações e a
literatura — e em particular a poesia — e a
filosofia. Estudioso dos pensadores alemães, sobretudo de Kant, Heidegger e Nietzsche, suas análises procuram dar conta dessa região fronteiriça em que a atividade conceitual desequilibra e é ao mesmo tempo desequilibrada pela arte. Não se trata de pensar dois domínios estanques, que se contentem em promover uma relação disciplinar ou mesmo interdisciplinar entre um e outro, mas de se conceber um intenso e originário tecido de entrelaçamento, isto é, que poesia e filosofia estão, desde o princípio, obedecendo a polarizações, provocações e instigações mútuas, o que estaria sempre presente no desenvolvimento de ambos. É nesse sentido que as análises de Benedito Nunes vão sempre procurar essa dimensão poético-filosófica em obras como as de Clarice Lispector ou de Guimarães Rosa.
obras
O Mundo de Clarice Lispector (1966)
Poesia de Mário Faustino (1966)
Farias Brito: Trovas Escolhidas (1967)
O Dorso do Tigre (1969)
Leitura de Clarice Lispector (1973)
Oswald Canibal (1978)
O Livro do Seminário (1983)
Passagem para o Poético: Filosofia e Poesia em Heidegger (1986)
O Tempo na Narrativa (1988)
A Paixão Segundo GH/ Clarice Lispector (1988)
O Drama da Linguagem: uma Leitura de Clarice Lispector (1989)
O Crivo de Papel (1999)
Hermenêutica e Poesia — O Pensamento Poético (1999)