Com quase 40 anos de
vida literária, não se pode dizer que Armando Freitas Filho seja uma testemunha passiva
do seu tempo. Participante de vanguardas e movimentos, sua poética, entretanto, não se deixa capturar por nenhuma forma predefinida, ainda que tenha e exponha, sem qualquer acanhamento, as marcas de suas vinculações e de suas influências. Afastando-se da moderna e nefasta assepsia da expressão
escrita, e mesmo da significação, seu trabalho busca tornar evidente a fragmentação e a incompletude do mundo vivido. Sua experiência poética, de dicção nervosa, apresenta uma forte vinculação com um cotidiano ao mesmo tempo tenso e reflexivo, em eterna procura das convivências possíveis. Há também uma importante presença da metapoética em seus poemas, isto é, escrever nunca está inteiramente isento do próprio ato da escrita, da materialidade, da modalidade, dessa escrita. O que resulta numa poética em que a expressão final, gravada na página, não oculta as asperezas e constrangimentos por que passou o ato criador.
obras
Palavra (1963)
Dual (1966)
Marca Registrada (1970)
De Corpo Presente (1975)
A Flor da Pele (1978)
A Mão Livre (1979)
Mademoiselle Furta-Cor (1980)
Longa
Vida 1979-1981 (1982)
3x4 (1985)
Cabeça de Homem (1991)
Números Anônimos (1994)
Duplo Cego (1997)
Fio Terra (2000)