Adolfo Ferreira Caminha, romancista, poeta e jornalista, nasceu em Aracati, Ceará, em 1867 e morreu no Rio de Janeiro em 1897. Foi
um dos principais representantes do naturalismo no Brasil. Se, em 1888, Júlio Ribeiro escandaliza o público com um livro tido por obsceno, antes disso, em 1885, Adolfo Caminha inaugura no Brasil a ficção que tem no homossexualismo o tema central, e que, por isso, foi atacado e banido da lembrança crítica por muito tempo. No mesmo ‘Bom-Crioulo’, na periferia da questão mencionada, surgem outras, como a masturbação em locais públicos, a desobediência e a ebriedade, três atitudes punidas com chibatadas pela Marinha da época, ambiente em que se passa o respectivo romance realista. Buscando desmoralizar a instituição das forças navais, da qual havia participado, e conhecendo-a, portanto, como poucos, o autor denuncia com afinco inúmeros preconceitos hipócritas. Em outros de seus livros, como ‘A Normalista’, por exemplo, surgem diversos temas polêmicos considerados interditos pela ordem social e política reinante: o incesto e o adultério, entre os demais. O ousado ficcionista passa a ganhar considerável relevância quando as minorias partem para reivindicar publicamente a legitimidade de suas diferenças. Um romancista, portanto, para a atualidade.
obras
Judite e Lágrimas de um Crente (1887)
A Normalista (1893) -
resumoNo País dos Yankees (1894)
O Bom-Crioulo (1895)
Cartas Literárias (1895)
Tentação (1896)
Trechos Escolhidos (1960)
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