GUERRA JUNQUEIRO
Poeta, jornalista e crítico português, nasce em Freixo-de-Espada-à-Cinta (Trás-os-Montes), em 1850, e falece em Lisboa, em 1923. Forma-se em Direito pela Faculdade de Coimbra, em 1873. É eleito, em 1898, sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras. Colabora em vários jornais: A Folha, A Lanterna Mágica. Inicia sua carreira literária com o livro de versos Duas Páginas de Cartoze Anos (1864). Com a Proclamação da República, em 1910, é nomeado Ministro de Portugal em Berna.
Suas principais obras são: A Morte de D. João (1874); A Musa em Férias (1879); A Velhice do Padre Eterno (1885); Os Simples (1892) – considerada a sua obra-prima; Poesias Dispersas (1920); Horas de Luta (1924).
Segundo Fidelino de Figueiredo, Guerra Junqueiro “é o mais fiel, o mais talentoso representante da
Poesia social revolucionária do seu tempo e de toda a ideologia do século”.
Sua obra lírica e satírica tem versos de uma pureza e de
um lirismo extraordinários.
Guerra Junqueiro combateu a monarquia (em Pátria) e a Igreja Católica (em A Velhice do Padre Eterno).
É realista por escrever versos de protesto contra as grandes mentiras. contra a hipocrisia, contra as misérias humanas.
ANTERO TARQUÍNIO DE QUENTAL
Nasceu, em 1842, em Ponta Delgada (arquipélago dos Açores) e suicidou-se na ilha S. Miguel, em 1891. Após os primeiros estudos na cidade natal, foi para Coimbra e ingressou mais tarde na Faculdade de Direito.
Antero de Quental foi poeta e filósofo. A sua poesia realista reflete a aspiração do poeta por uma verdade absoluta, que é, segundo ele, a Essência ou o Supremo Bem.
Escritor dotado de talento poético e penetrante inteligência. Segundo Eça de Queirós, “um gênio que era um santo”. Foi um guia da mocidade acadêmica da época em todos os movimentos provocados pelo conflito de gerações.
Nesse clima revolucionário, escreve grande parte dos poemas das Primaveras Românticas e alguns poemas de Odes Modernas. Essa obra foi publicada no mesmo ano da Questão Coimbrã.
Antero de Quental, doente e desesperado, busca nas leituras os mestres do pessimismo – Schopenhauer e Hartmann – e esse mesmo sentimento expressa em seus sonetos.
Os sonetos anterianos refletem as oscilações emocionais do poeta: da ternura à angústia; do individualismo ao coletivismo.
A poesia e Antero de Quental é metafísica, filosófica; os temas tendem para o abstracionismo. Não há a preocupação com o tema amoroso ou com a descrição do ambiente, da realidade, da paisagem. Daí a razão por que, nas poesias anterianas, há o uso freqüente de termos vagos como Essência, Bem, Razão, Infinito.
Podemos dividir a poesia de Antero de Quental em três fases:
1ª Fase: fase místico-religiosa, com poemas escritos entre 1859 e 1863, que refletem a influência do poema de Alexandre Herculano – A Harpa do Crente. Nesta fase, Antero escreve Raios de Extinta Luz.
2ª Fase: é a fase revolucionária da poesia anteriana. Escreve Odes Modernas. O poeta define esta obra como “uma voz sincera que pede justiça”.
3ª Fase: compreende o período de 1861 a 1864. Antero publica Primaveras Românticas e o poemeto Beatrice. Nesta terceira fase, a poesia apresenta características de um
realismo menos agressivo que o das Odes Modernas.
Os Sonetos (em cinco volumes), publicados de 1860 a 1884, representam a poesia mais expressiva de Antero de Quental.
Antero é considerado realista pela aspiração de uma verdade absoluta que ele chama de Essência ou Supremo Bem.
CESÁRIO VERDE
Nasce em Lisboa, em 1855, e falece em 1886.
Após sua morte, os poemas de Cesário Verde foram publicados por um amigo chamado Silva Pinto.
Há nesses poemas:
longas reflexões sobre a realidade circundante;
extensas descrições;
ironia e paródias, especialmente nos sonetos.
Cesário Verde dá às coisas um poder poético; sua poesia é realista no sentido empírico; é fiel a tudo aquilo que sua percepção julga interessante e mesmo estranho, o que torna sua poesia até certo ponto “chocante” aos apreciadores da poesia da época.
TEÓFILO BRAGA
Poeta, crítico, historiador, sociólogo e estadista português, Teófilo nasceu em Ponta Delgada (Açõres), em 1843, e faleceu em Lisboa, em 1924. Ficou órfão de mãe aos três anos e, a partir dos cinco anos, foi vítima de maus-tratos da madrasta. Só conquistou um lugar ao sol quando seu pai – um professor de liceu – deu-lhe o necessário para freqüentar a Universidade de Coimbra.
Com apenas dezesseis anos de idade, publicou seu primeiro livro: Folhas Verdes.
Pertenceu ao Instituto de Coimbra, á Academia Real de História de Madri e, como sócio correspondente, à Academia Brasileira de Letras.
Téofilo Braga ganhou renome literário com a obra Visão dos Tempos, dividida em Antiguidade Homérica (Harpa de Israel e Rosa Mística) e continuada pelo autor em Tempestades Sonoras.
A criação literária de Teófilo Braga tem mérito porque focaliza os impulsos afetivos: amor à Pátria; crença na libertação “mental e social” pela ciência e filosofia.
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