O carioca Senor Abravanel, conhecido por Sílvio Santos, de 12 de dezembro (há dúvidas quanto ao ano de nascimento: ou 1930 ou 1935) nasceu e cresceu no bairro da Lapa, na Travessa Bentevi. O mais velhos dos seis filhos do casal Rebeca e Alberto Senor - gregos que chegaram ao Brasil em 1914. Na Escola Celestino da Silva, ainda no tempo do primário, o menino era conhecido por sua eloqüência e espírito de liderança, característas que lhe renderam a função de monitor de sua classe. O pai tinha uma lojinha de souvenirs na Praça Mauá e foi lá que, aos 12 anos, Senor começou a trabalhar. Na época das eleições de 1945, o rapazinho observou
um camelô vendendo carteiras para portar títulos de eleitor. Comprou uma carteira dele por 2 mil-réis. Em sua rua, revendeu-a por 5 mil-réis. Tomou gosto pelo negócio e estabeleceu-se como vendedor de rua, na esquina da Av. Rio Branco com a Rua do Ouvidor, negociando canetas, giletes, suspensórios, gravatas, remédios para calos e outras mercadorias. Seu irmão Leo foi trabalhar com ele como fiscal de rapa. Jovem, paralelamente a seu comércio informal, começou a estudar contabilidade. O jeito de se comunicar de Senor chamou a atenção de Dr. Renato Meira Lima, diretor da fiscalização municipal, que o indicou para Jorge de Matos, da
Rádio Guanabara. Começou a trabalhar nesta emissora em 1948, passando em primeiro lugar num concurso de locutores - eram 300 candidatos. A partir daí, em todos os concursos que entrava, Senor ficava em primeiro lugar. Então, ele mesmo sugeriu que adotasse um nome artístico: Sílvio Santos. Como se ganhava muito pouco na locução radiofônica, Sílvio preferiu voltar para as ruas. Serviu ao Exército em Deodoro, na escola de pára-quedismo. Ali teve a oportunidade de saltar. Quando tinha folga aos domingos, começou a trabalhar sem receber no programa Silveira Lima, na Rádio Mauá. Com ele, seguiu para a Rádio Tupi. Quando terminou o serviço militar, Sílvio comercializava relógios, tecidos e sapatos - sempre como autônomo - e fazia figuração na TV Tupi. Começou a trabalhar então na Rádio Continental, no município de Niterói, colado ao Rio. Indo sempre para lá de barcas, ele teve uma idéia: lançar um serviço de rádio por auto-falantes dentro da embarcação, através do qual o passageiro pudesse ouvir a músicas e anúncios. Foi à frente. Na barca para a ilha de Paquetá, abriu um barzinho para vender bebidas. A primeira promoção do homem de negócios nasceria nessas idas e vindas para Paquetá: quem comprasse um número X de garrafas, ganharia uma cartela para concorrer a êmios num bingo. Em 1954, ele segiu para São Paulo, onde abriu um barzinho, o Nosso Cantinho, freqüentado por profissionais do rádio. Conseguiu emprego como locutor da rádio Nacional. Lançou no mercado uma revista de charadas e palavras cruzadas - era a Brincadeiras para você. Passou pelo circo e por comícios políticos, transformando-se num animador que entretinha o público enquanto a atração principal não começasse. Por ficar vermelho sempre que falava, Sílvio ganhou o apelido de "peru que fala". (final parte I. Continue parte II)
Mais críticas sobre Sílvio Santos - parte I